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sexta-feira, maio 17, 2013

Antes de... estragarem um filme

Estreia este mês (ou no próximo, já sabem que dados exatos e investigação não é comigo) o filme Antes da Meia-Noite que, para quem não sabe é a continuação do Antes do Amanhecer e Antes do Anoitecer.

Quem é da minha geração conhece bem estes filmes mas para quem não é, aqui fica um resuminho. No filme Antes do Amanhecer o Jesse e a Celine conhecem-se num interrail e passam uma noite juntos, conversando sobre o tudo e o nada e ai que lindo, olha as estrelas e nunca te vou esquecer chuack chuack (= som de beijos). No Antes do Anoitecer Jesse e Celine encontram-se passados dez anos e passam um dia juntos conversando sobre o tudo e o nada, o amor, a vida e acabam na casa dela a ouvir música, e olha que vais perder o avião e ele, mesmo sabendo que vai perder o avião, não levanta o rabinho do sofá (cabe ao leitor imaginar o regabofe entre os dois depois disso).

Agora, no Antes da Meia-Noite, Jesse e Celine, casados, enfrentam os problemas de qualquer casal. Ora, eu não sei sobre vocês, mas eu dava-me por satisfeita com aquele final, os dois a ouvirem Nina Simone, ela a dançar, ele com um sorriso malandreco a olhar para ela e foram felizes para sempre, the end. Mas não, resolveram inventar. Os problemas de qualquer casal? Mas... mas... já não nos chegam os nossos? Vão agora fazer um filme em que ele não repara que ela cortou o cabelo, ela começa a chorar, ele pergunta o que é que ela tem, ela responde "nada" e amua durante duas semanas, ela se queixa que ele vê futebol a mais, ele não fala com ela nos dias seguintes ao Benfica perder (e olhem como isso é frequente nos últimos dias!), ela pergunta se está mais gorda e ele responde "se calhar, um bocadinho", ele deixa a roupa suja espalhada pelo chão e não baixa a tampa da sanita, ele quis um cão mas agora é ela quem tem de lhe dar de comer e limpar os chichis e cocós? (sim, toda a gente sabe que estes são os grandes problemas de qualquer casal). 

Eu vou ver o filme na mesma, que eu não sou menina para deixar uma trilogia (ou mais) a meio (e olhem que o Scary Movie já vai no sexto!!!) mas se no fim eles se zangarem por meia dúzia de pratos sujos na banca da cozinha eu vou ficar muito chateada.


segunda-feira, março 18, 2013

Não tenho grandes esperanças

Um dos livros de que mais gostei, apesar de ter sido "obrigada" a lê-lo (fazia parte do programa do meu curso) foi o Great Expectations de Charles Dickens (versão portuguesa Grandes Esperanças). Adorei a história, o livro é fácil de ler (mesmo em inglês) e é dos meus livros "de sempre". Quando li o livro (por volta de 2001) já tinha visto o filme com o Ethan Hawke e a Gwyneth Paltrow (1998) e era um dos meus filmes preferidos até então, talvez porque vi primeiro o filme e só depois é que li o livro (quando acontece o inverso, depois normalmente nunca gosto dos filmes baseados em livros que li porque acho que lhes falta sempre qualquer coisa).

O filme de 1998 é uma versão nos tempos modernos e tem algumas (bastantes) alterações em relação à história original de Dickens, no entanto, e como já o revi algumas vezes depois de ler o livro, continuo a achar que, apesar dessas diferenças, o filme consegue captar a tensão da história, da humildade e humilhação do Pip (que no filme é Finn) e da crueldade de Miss Havisham (que no filme é Miss Dinsmor). 

Fiquei hoje a saber que há uma nova versão, desta vez "de época", desse filme. Irei certamente ver, até porque adoro filmes de época (não fui ver o Anna Karenina, aquela Keira Knightley tira-me o prazer de qualquer filme), mas depois de ver o trailer não estou com grandes esperanças em relação a esta versão. O Pip e a Estella, mesmo em adultos e na cidade grande, são interpretados por "putos", dando um ar de filme para adolescentes a uma história tão dura e tensa, como referi em cima. Não que eu ache que atores mais jovens não consigam passar para o público sentimentos como medo, humilhação (sofrida e causada), desilusão, arrependimento, crueldade, frieza, vergonha, etc. Mas sempre achei que esta era uma história mais "adulta". 

Depois, só pelo trailer, dá para ver que optaram por uma realização muito... teatral. Não gosto.

E por fim, tem a Helen Bonhan Carter, que até pode enquadrar muito bem nos filmes do marido mas em qualquer outro papel (embora a Miss Havisham seja um pouco louca) parece sempre que é a Helen Bonhan Carter a fazer de Helen Bonhan Carter.

Aqui ficam.


vs.