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quinta-feira, setembro 20, 2012

Episódio da vida real

Ando a ficar cada vez com mais medo de reunir com o meu chefe. Não, ele não me dá muito (ou nada) na cabeça, não é irascível e as tarefas das quais me encarrega normalmente são interessantes.

Acontece que ultimamente, a meio da tomada de decisão e para esclarecer algumas dúvidas que vão surgindo na discussão sobre o caminho a seguir nos projectos, o senhor tem-se socorrido do Google para vermos uma ou outra coisa. E, isso sim, já me causou uns pequenos ataques cardíacos e tirou-me anos de vida. 

Por motivos de adaptação de umas ilustrações para PALOP, veio à baila se as bonecas com que as crianças africanas brincam seriam brancas (isto pode ser uma pergunta mesmo estúpida mas olhem, nem eu nem ele sabíamos). E que pesquisa de imagens é que ele resolve fazer? Pois, nem mais nem menos do que.... "bonecas angolanas". Era vê-lo a escrever estas duas palavras no Google Imagens e eu só pensava "eu não estou a acreditar nisto", toda eu tremia, o coração a galopar no peito, vivendo segundos de verdadeiro terror à espera do que me sairia dali. Felizmente a coisa correu bem, as bonecas que apareceram eram efectivamente bonecas, de plástico ou madeira (sei lá eu de que material são feitas as bonecas), não apareceu nenhuma senhora de pernoca aberta a fazer "ginástica" e a coisa ficou por ali.

Uns dias depois, outra reunião, e ao discutirmos as visitas e as origens das mesmas num dos sites da empresa do qual sou parcialmente responsável, decidimos ir ao Google Analytics. Até aí tudo muito bem, até que surge mais um momento "não acredito que ele está a fazer isto!!!", quando o vejo a escrever simplesmente "google anal" e clicar em enter. Gelei, fechei os olhos, pedi ao pai do céu e rezei a todos os santos cujo nome me lembrei para que quando os abrisse não estivessem lá uma série de sites XXX com imagens. Felizmente a Google ainda não passou para o "dark side" e o primeiro resultado que devolveu foi mesmo Google Analytics. Bebi uns golinhos de água, acalmei-me e lá analisamos os dados como se nada de anormal se tivesse passado.

Maneiras que desde então sempre que ouço "****, podia vir aqui?" levanto-me sempre muito a medo e aproximo-me apreensiva, à espera que as próximas pesquisas sejam expressões "inocentes" como bolas enormes, boa(...)zona para comer, entrar por trás ou pau preto.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Adults-only

Quando disse às minhas amigas que ia passar as férias de verão num hotel só para adultos elas deram umas risadinhas, chamaram-me malandreca, mas eu estava longe de imaginar que elas não conheciam o conceito. Pelos vistos elas pensaram que era um hotel onde era só coboiada e sabe Deus o que mais. Mas não. Um hotel só para adultos (adults-only, como eles lhe chamam) é apenas um hotel onde não entram crianças. Nada de strippers, nada de feiras eróticas, nada de homens e mulheres com certas zonas à mostra a servir nos restaurantes, nada. É um hotel exatamente igual aos outros.... mas sem pequerruchos.

O escolhido foi o Catalonia Royal Bavaro, que ao lado tem um complexo "irmão", esse sim, para famílias, e cujas instalações podíamos utilizar sempre que quiséssemos. As críticas ao hotel eram muito favoráveis, a nosso ver "ah e tal, tem muito pouca animação, quando queremos festa temos de ir ao do lado", "ah e tal, é muito calmo, não tem divertimentos", etc. Quando li isto fiquei toda contente e estava certa na minha interpretação. O que as pessoas chamam de "falta de animação" é o que eu chamo de descanso, já que nas férias a última coisa que eu quero é aeróbica na praia, hidroginástica no mar, música de discoteca pum pum pum na piscina, estrangeiras a dar gritinhos histéricos ou instrutores dominicanos aos berros a dizer "bamos muchacha, miexe-me esse culo".

Vai daí foram sete dias de puro descanso. E comida (ambos os hotéis oferecem-nos 2 restaurantes buffets e mais uns 5 a la carte). E bebidas (já disse que era tudo incluído?). E andar de catamaran e caiaque. E pilotar lanchas rápidas. E praticar snorkel. E fazer mimos a golfinhos. E passear em praias desertas. E ouvir toda a gente a dizer "pórtugués??? Patatas con bacalao!!", em vez da comum referência ao Cristiano Ronaldo. E passar horas dentro de água. E nadar no mar debaixo de uma tempestade tropical. E acordar ás seis da manhã todos os dias para ver o sol nascer no mar.

E hoje vim trabalhar.