sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Bebida

Suponhamos que eu era alcoólica. Durante um, dois anos tinha bebido intensamente, desenvolvido um vício sério. Consciente disso, juntei-me aos AA e, um dia de cada vez, consegui deixar de beber. Afastei-me de toda a tentação, deixei de ir a bares, e consegui, assim, deixar de pensar na bebida que, apesar de tudo, continuava no mesmo sítio à espera que lhe pegasse. No entanto, tornei-me muito confiante, achando mesmo que estava curada. Voltei a frequentar bares, a ver a linda cor da bebida e o seu cheiro a chamar por mim. No início enjoou-me. Foi fácil resistir, olhava para a bebida com a mesma sede de sempre mas saía do bar e não pensava mais nisso. Mas aos poucos comecei a ter vontade de ter um copo na mão, de dar um golinho que fosse. De sentir aquele cheiro forte outra vez.

Esta noite tenho um copo em cima da mesinha de cabeceira e três opções. Bebê-lo, deitando por terra todo o trabalho que tinha como garantido até agora. Deitá-lo ao lixo e sofrer com a privação. Resistir-lhe mas mantendo-o lá para me lembrar todos os dias o porquê de ter procurado os AA, mas correndo o risco diário de cair na tentação de molhar os lábios. E agora?

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

NB

O texto abaixo é irónico, sim?

ironia
nome feminino

1. forma de humor que consiste em dizer o contrário daquilo que se pretende dar a entender

2. uso de palavra ou expressão em sentido oposto àquele que se deveria usar para definir algo

3. figura de estilo que veicula um significado contrário daquele que deriva da interpretação literal do enunciado (ex.: bonito serviço!)

4. sarcasmo, zombaria
(por isso podem parar de mandar mails a dizer que eu sou uma preconceituosa, que eu até já falei de sapatos neste mesmo blog, que eu é que sou pouco desenvolvida cognitivamente. Irónico, 'tá?)

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

As mulheres e os sapatos

Hoje em dia a mulher não pode gostar de sapatos. Quem diz sapatos diz malas ou roupas em geral. Mas sapatos é mesmo o pior. As que gostam (essas vacas!, que não têm outro nome), deviam fazê-lo em silêncio, nunca revelando esse seu gosto. Se o querem revelar, deviam juntar um "perdão" no final, como se tivessem acabado de arrotar. Porque gostar de sapatos é feio, é mal educado, mil vezes mais reprovável do que cantar à mesa, não deixar a mulher passar primeiro, praticamente ao nível de cuspir para o chão. Quando se gosta mesmo muito muito, daqueles mesmo bonitos, chega até a ser crime e essas "senhoras" deviam ser apedrejadas até à morte, que isto de se gostar de sapatos consegue ser pior do que matar alguém. Porque sapatos bonitos são aquelas coisas do demo, que as mulheres só gostam por causa dessa série- igualmente demoníaca - uma tal de Sexo e a Cidade. Antes de haver essa série, as mulheres não gostavam de sapatos, não compravam sapatos. Andavam de socas e chinelos e o dinheiro ia todo no mercado, em legumes para a sopinha do marido. 

É que gostar de móveis bonitos, monumentos bonitos, casas bonitas, carros bonitos, flores bonitas, tudo isso é normal, apreciado até. Mas sapatos? Porque raio gostar de sapatos bonitos? Só mesmo essas fúteis. E as burras, claro! Mulher que gosta de sapatos e que o revela à boca cheia só pode ser fútil, pouco inteligente, pouco culta e instruída. Porque está cientificamente provado que sapatos bonitos são incompatíveis com funcionamento cerebral. Aliás, uns sapatos bonitos nos pés impedem a sua utilizadora (essa criminosa) de se interessar por tudo o resto à sua volta. Arte, cultura, literatura, informação. Uma mulher que goste de sapatos está fisicamente incapacitada para usar o cérebro mais do 0,01% e essa percentagem é usada unicamente para pensar em... sapatos. Tanta gente que me pergunta como saí da faculdade com uma média tão alta e a explicação é simples: não gostava de sapatos. Ainda me lembro como se fosse hoje, antes de um exame, eu preparada para desenvolver sobre o Romantismo alemão em Goethe, quando o professor de literatura alemã me diz "oh minha filha, podes estar sossegada. Com esses sapatos tão feios, tens um 19 garantido".

Temo que neste momento Alfred Binet e Theodore Simon estejam a dar voltas na campa. Não é que os homens tiveram tanto trabalhinho para criar a escala Binet-Simon (escala que mede o QI), quando na verdade é só olhar para os sapatos de uma mulher e, se forem bonitos (tacão alto e fino é o maior indicador) é logo sinal de baixo QI. O próprio Piaget, coitadito, anos e anos de estudo para se sair com a teoria dos estádios de desenvolvimento, quando na verdade a capacidade intelectual se vê desde cedo. Qual representação simbólica, qual raciocínio lógico! Uma criança que diga "mamã, não gosto destes sapatos, gosto mais daqueles" está condenada. É burra!

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Fantasias

Se há sensação que eu gosto é a de deitar a cabeça na almofada para dormir. Aqueles minutos, às vezes segundos, em que sabemos que podemos dormir, em que sentimos o corpo todo a relaxar, a ficar mais pesado, em que os pensamentos se misturam e diluem até que o cérebro desliga e adormecemos. Na minha opinião, melhor do que adormecer em si, são esses instantes em que temos consciência que vamos dormir.

No entanto, também o verso da medalha. Aquelas noites em que deitamos a cabeça na almofada e sabemos que não vamos dormir. A noite passada experimentei as duas sensações. Visto que hoje ia (e fui) trabalhar, deitei-me à hora do costume e (expressão que me é muito querida) aterrei logo. Às duas e meia acordei, certa que era só para beber um copinho de água e voltar a enroscar-me no sono. Cabecinha na almofada, posição confortável mas sono que é bom, nada. Fiquei assim até às 6h da manhã, roda para aqui, vira para ali e às 7 lá tocou o maldito despertador.

Hoje passei o dia enjoada, mal humorada, rezinza e se a vontade de comemorar o Carnaval já era pouca, acabou por se perder por completo com os ataques de sono em frente ao computador e a falta de paciência para os maus humores do chefe (eu, pelo menos, não descarreguei o meu em ninguém). 

Daí que hoje não vou pôr perucas, fatos de lycra, dentes artificiais ou chapéus de bruxa. Vou-me fantasiar de dorminhoca, de preguiçosa, de leitora na cama com a luz fraca do candeeiro a bater no livro que me consome as horas livres, de madrugadora e aproveitadora do sol na cara, do sumo de laranja à beira-mar. E esta fantasia, neste momento, soa-me bem melhor do que qualquer festa cheia de diabos e princesas.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Estava/estou:

Farta da chuva e do frio. De dias cinzentos e molhados. Do desconforto da chuva na roupa, de andar sob um guarda-chuva, do cabelo lambido. Do vento a bater na janela e de barulhos na porta e na janela que pareciam a banda sonora de um filme de terror. Farta de andar na lama, de sujar os sapatos. Da gabardine. Do mundo a preto e branco que amanhecia dia após dia. Do trabalho que nunca mais acaba. De letras e fontes e tipos de letras, indentações, margens e hifenizações, pantones e Quark (se tirei um curso de línguas não foi para fazer estudos gráficos). De prazos e entrar mais cedo e sair mais tarde. Do ar condicionado sempre ligado no frio. De acordar a meio da noite com o barulho da chuva a invadir o meu terraço.

Apetecia-me ir de férias, estar de férias. Estar calor e almoçar na esplanada. Ir para a marginal ao fim da tarde ler um livro enquanto o sol se põe atrás da ponte da Arrábida. Andar de sabrinas e não ter frio nos pés, sair à noite sem casaco. Ter tempo para ver todos os filmes que estão no cinema. Ir para o Algarve e esturricar ao sol o dia todo. Vestir um vestidinho para ir jantar fora, com o cabelo molhado e o corpo a cheirar a creme. Passear à beira-mar. Ver o mundo iluminado e o rio Douro a cores quando olho pela janela do escritório. Não ir trabalhar. Estar de férias e estar em casa. Comer leite creme ao lanche e bolo de noz com ovos moles de sobremesa ao jantar. Uma massagem. Dançar e dormir muito.

Ainda bem que hoje é sexta-feira!

domingo, fevereiro 08, 2009

Pérola

Não venho aqui comentar as arbitragens.


AH AH AH

(fazer pesquisa por Jesualdo + arbitragem no Google...)

sábado, fevereiro 07, 2009

...

Don't wonder why people go crazyWonder why they don't.*


Grey's Anatomy

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Constatação

Ser amigo é sair de um óptimo encontro com "aquela" pessoa para ir ajudar alguém. Mas ser amigo também é saber avaliar se o nosso problema é assim tão sério que justifique tirar um amigo de um óptimo encontro com "aquela" pessoa.