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segunda-feira, novembro 05, 2012

Ainda sobre o Skyfall

 * contem mini-spoilers*

1. No trailer, temos uma cena de ação, com perseguições de mota em cima de telhados e lutas em comboios em andamento, com um Bond a saltar para dentro de um comboio semi-destruído enquanto [sexy as hell!] arranja os punhos da camisa. No entanto, é praticamente a única cena de ação/perseguição do filme.

2. No trailer, temos o seguinte diálogo:

Boazona - What do you know about fear?
Bond - All there is to know.
Boazona - Not like this. Not like him.

No entanto, depois aparece-nos um vilão que de assustador não tem nada. Gay (não quero com isto dizer que os gays não possam ser malvados, ponham os olhinhos no Renato Seabra!!!), de cabelo loiro pintado (e mal pintado), cheio de trejeitos e a querer papar o rabinho do Bond, enquanto o Bond (O JAMES BOND!!!) faz charminho para outro homem! Eu estava habituada a ver o MI6 a combater organizações maléficas, que queriam destruir a Inglaterra/o mundo, roubar petróleo, financiar terroristas, etc. Aqui a vítima não é uma pátria, uma organização, é a M., apenas a M. e o vilão é um menino da mamã ressabiado. Desculpem, mas não mete medo a uma criança de 5 anos (a não ser que lhe dissesse "anda cá ao tio, que eu tenho aqui uma guloseima para ti").

3. Depois, estamos habituados aos maus terem bombas, mísseis, armas potentíssimas, tecnologia mortífera de ponta. Aqui não. Eu sei que estamos na era digital mas um bonequinho a mandar mails com gargalhadas de bruxa já deixou de meter medo há muito e até eu já recebi comentários mais medonhos na caixa de comentários aqui do blogue.

4. Por fim, um Bond, James Bond, 007 licence to kill, deveria ser um nome de código, ele deveria ser sempre forte e tomar as melhores decisões, não devia ter dores e ressacas e dúvidas. Eu não queria ver um Bond bêbedo, fraco (nem umas elevações conseguia fazer, caraças!), na sua pior forma, que nem sequer passa nos testes de admissão, um Bond sentimental, pessoal. Eu não queria saber que ele era órfão, não queria saber onde é que ele passou a infância, que Skyfall era o nome da sua quinta quando era pequenino ou que James Bond é o nome verdadeiro dele. 

Não é pedir muito ó Sr. Sam Mendes!

sexta-feira, novembro 02, 2012

Vou falar do Skyfall. E não vai ser bonito.

* contem mini-spoilers *


O filme é.... como é que eu hei de dizer isto sem ser indelicada... mau. 

Quer dizer, o filme tem o Daniel Craig. E o Daniel Craig a fazer de James Bond é capaz de ter sido o único motivo para eu ter começado a gostar dos filmes do 007. Antes dele era tudo muito limpinho, muitos socos, quedas, tiros, perseguições e os Bonds estavam sempre impecáveis, fatinhos sem uma ruga, sem uma pinga de sangue, sem as fraldas da camisa por fora. O Daniel Craig não. Trouxe-nos um Bond real, que sua, que sangra, que depois de uma cena de pancadaria está com a camisa aberta e amarrotada (e nós agradecemos, oh se agradecemos). Mas neste não. O filme simplesmente não tem ação. Tem uma perseguição espetacular no início do filme, digamos, até ao minuto 3, mas a partir daí é sempre a decair. Não há ação, não há grandes perseguições, não há mudança constante de cenário/cidade/continente e o raio do filme é quase todo passado em Londres. O que é uma seca, tendo em conta que Londres já eu conheço de trás para a frente e, numa perspetiva mais técnica, traz um ambiente muito cinzento ao filme (estão a ver as cores das filmagens em Montenegro no Casino Royale ou na América do Sul no Quantum of Solace? Esqueçam!). Os James Bond têm de ter praia, têm de ter bares na praia, têm de ter uma gaja boazuda a sair do mar a atirar a cabeça para trás em câmara lenta enquanto enxuga o cabelo. Aqui até as Bond girls assumem pouco protagonismo (embora uma delas seja linda de morrer) e aparecem pouco mais de 10 minutos ao longo de todo o filme. Eu diria que a veraddeira Bond Girl neste filme é a M. (podem tirar essas ideias obscenas da cabeça!).

Por fim, eu não sei quem se lembrou de pôr o Javier Bardem a fazer de vilão gay (ou melhor, quem se lembrou de pôr o Javier Bardem a fazer qualquer papel em qualquer filme) mas essa pessoa devia era levar um tiro. Pessoas, convençam-se de uma coisa de uma vez por todas, o Javier Bardem é mau ator, tão mau que eu diria mesmo que é o Joaquim Almeida do cinema contemporâneo e isso, como todos sabemos, não é bom.

Fiquei traumatizada. estava à espera de um filme de ação e levei uma banhada. Logo acho que vou ver um do Steven Seagal ou do Van Damme.