sexta-feira, maio 22, 2009

Casamento (e atenção que este post é um bocadinho SPOILER do filme abaixo)

Uma coisa que me chateou no filme foi o facto do Ben Affleck no final ter pedido a Jennifer Aniston (não me lembro dos nomes deles no filme) em casamento. Eles tinham uma relação óptima, ele era amigo dela, apaixonadíssimo por ela, eram felizes e a burra (foi o nome que pensei na altura) foi estragar tudo só por causa da vontade de casar. E quando ela finalmente compreende que tem um marido muito mais marido do que os das irmãs, e o aceita mesmo sem casar, ele pede-a em casamento. Achei que este final (embora lindo e romântico e tuditudo) foi contra a mensagem que a história desse casal tentou passar ao longo de todo o filme. 

Mas a questão que se põe é porque é que as gajas querem tanto casar? Mesmo quando têm uma relação que é em tudo um casamento, quando têm tudo para ser felizes, porque insistem em ter o papel, a aliança, a categoria de marido, mulher? Claro que há as vantagens fiscais, de empréstimos, heranças e coisas do género, mas claro que não é por nenhuma dessas razões. Na minha opinião há duas razões. Primeiro por questões sociais, o que os outros pensam. Acho mesmo que é a principal razão. Mesmo que tenha alguém, viva com alguém, se uma mulher de 30 e tal anos não é casada, sente-se mal perante os outros, por mais feliz que seja em casa, por melhor e mais apaixonado companheiro que tenha. Tem medo que os outros pensem que a sua relação não é a sério ou que ele não gosta dela o suficiente para casar. E a verdade é que os outros pensam mesmo isso. Apesar de verem o quanto são felizes, os "outros", que somos todos nós, muitas vezes fazemos esse tipo de juízos. "Ela diz que são muito felizes mas para estarem juntos há 5 anos e ainda não terem casado é porque alguma coisa está mal", quando muitas vezes o seu próprio casamento é que está mal. A segunda razão acho que é insegurança. Querem que a coisa fique escrita, qual contrato profissional, acreditam que estando no papel então a relação é muito mais permanente, dá-lhes segurança, sabem que para desfazer um contrato dá muito trabalho e que a outra pessoa vai pensar duas vezes antes de o tentar fazer.

Quanto a mim eu acho que é uma estupidez. Não estou a falar de casar e sim de acreditar que casar muda tudo. De acreditar que um papel dita a seriedade de uma relação. Precisar dessa confirmação e estatuto para ser feliz numa relação, quando tudo o resto roça a perfeição. Um casamento é bem mais que um contrato, bem mais que um papel e isso e no fundo todas sabem, mas precisam dele na mesma. Quem disse que era fácil entender as mulheres?

8 comentários:

Trolha disse...

Assino por baixo. Mas as mulheres adoram a festa. Quem pode contrariar a natureza?

Anónimo disse...

Sobre post relativo à senhora que tirava a venda.

"Amei! Amei!" é uma sequência em que não existe qualquer adjectivo.

Amei é uma forma do pretérito perfeito do indicativo do verbo amar.
Para o bem ou para o mal, formas verbais não são adjectivos...

I.C.

Kami disse...

Concordo contigo em quase tudo e acho que:
1- Hoje em dia já há muita gente que não condena nem desvaloriza as relaçoes de pessoas que vivem juntas e preferem nao casar. Já começa a ser mais comum.
2- É um bocado querer enganar-se a si propria achar que um papel e uma aliança dao mais segurança. Muitas vezes até acaba por fazer o oposto.
3- Além disso hoje em dia é tão facil alguém divorciar-se que já nem se poe essa questao de ter trabalho a desfazer o contrato

Espiral disse...

Apesar de achar o texto interessante, e perceber as ideias que querem transmitir tanto o texto como os comentários, parece-me que não conhecem ou não entendem a importância de algo denominado contrato psicológico. A importância de um papel passado vai para lá disso. Na cabeça das pessoas muda, não diria tudo. Mas alguma coisa.

Beijo

Espiral

Rapunzel disse...

Essa parte do filme tb me desiludiu um pouco! Concordo com tudo!!!

Anónimo disse...

Eu também pensava que casar e viver junto era o mesmo até passar pela situação de viver junto. Hoje em dia, vivo, mas já com casamento marcado. Casar muda tudo, como dizia outro comentador cria um efeito de "contrato psicológico". E não podemos descurar a importãncia do simbólico, que é o que de mais importante o casamento traz.

Annna disse...

Não concordo nada ctgo.

Penso que há dois aspectos importantes:

1º- a jennifer queria casar, porque era um sonho, pressão da sociedade, o que quer que seja;
2º- Se ele sabia que era algo que ela queria, se ele a amava, se à partida nada vai mudar (e aqui eu acho uma treta qd as pessoas que vivem juntas dizem que o casamento muda tudo. Lá que me digam que o cassamento é mto diferente do namoro isso é outra coisa), porque é que ele se recusava a casar com ela?

Acho que todos nós quando amamos e estamos com alguém que nos ama, fazemos sacrificios.

No final ela teve a atitude correcta em compreender que o casamento não é sinal que os maridos se comportem mais como maridos, ou que as pessoas sejam mais felizes. Ela compreendeu que apesar de não terem um papel passado ele esteve lá quando ela precisou. E ela reconheceu isso.

E ele reconheceu que a felicidade dela é a felicidade dele. Por isso ele quis realizar o desejo dela e fazê-la feliz.

Acho que os dois estiveram à altura e demonstraram que um papel por vezes não significa mais ... mas a felicidade de um é a felicidade dos dois.

kiss me disse...

Mas se os valores dele eram contra o casamento, porque não fazer ela o sacrifício para o deixar feliz, se nada iria mudar e não? Porque tinha ele que fazer o sacrifício por causa de um papel que não ia mudar em NADA (na minha opinião) a relação dos dois?

Foi isso que achei mal.

E a típica questão do "se ele a amasse fazia isso" também vale para o outro lado. Se ela o amasse não pedia que ele fosse contra os seus princípios. Só isso.