Letras
Hoje fui à minha antiga faculdade. Não sei se esperava mais ver tudo igual ou ver tudo diferente mas verdade é que está completamente na mesma! As mesmas caras, as mesmas filas intermináveis na secretaria, o mesmo mau humor das funcionárias, os mesmos bolos no bar, as mesmas doutoras que me praxaram e que ainda lá estão a fazer AlemãoIII. 80% das raparigas continua a vestir roxo e preto com botas Dr. Martens, cabelo com ar de quem não vê água há semanas e pele de quem não vê sol há anos. 10% são aquelas que só se vê a sair da biblioteca para a sala de aula e da sala de aula para a biblioteca, com milhares de fotocópias na mão e cujo tema de conversa involve sempre as palavras "professor", "exame", "apontamentos" e "estudar". Que não emprestam os apontamentos das aulas e que ficam mais lixadas por alguém ter tirado 19 do que felizes com o seu próprio 18. E os restantes 10% são raparigas "normais". Os rapazes, esses, coitados (ou coitadas delas...). Constituem aí uns 5% da população daquela faculdade mas nesta fase estão muito mal representados. No meu tempo ainda havia algumas peças jeitosas. O André de Filosofia que era da minha turma de Ciências da Educação, outro tal André do meu curso que andava com a caloira loira, um de Sociologia que era modelo, o jeitoso sabia lá eu de que curso (e que depois acabou por passar um ano na minha cama), o outro que entrou nos Morangos e etc etc. O que eu vi hoje foi a espécie masculina no seu pior nível, ainda eu me queixava.
Só saí de lá há dois anos e qualquer coisa e parece que foi há mil. Não sinto grandes saudades. Tenho saudades dos tempos de faculdade mas não da faculdade. Tive foi uma enorme vontade de gritar a todos aqueles jovens iludidos"oh meus burros, que é que vocês estão a fazer aqui? Querem ir para o desemprego, é?". Mas deixei-me estar calada e sossegada enquanto esperei 50 min na fila da secretaria só para pedir a porcaria de um certificado.

