sábado, março 11, 2006

É bom, é muito bom!

É verdade, ontem estava f***** mas hoje estou mais animada :P

Ontem fui à escola onde estagiei o ano passado (para quem não sabe, e ninguém deve saber... sou professora). Tendo em conta que durante todo o ano que passou só pensei que aquele estava a ser o pior ano da minha vida, que o trabalho nunca mais acabava, que as orientadoras da escola e as metodólogas da faculdade só queriam ver os nossos corpinhos numa fogueira, que não tinha tempo para dormir quanto mais para fazer qualquer coisa mais interessante, tendo em conta estes aspectos devem estar a pensar... ui então deve ter sido muito mau voltar a esse sítio de tortura! Mas não!!! A verdade é que quando o estágio acabou (em Maio, embora as aulas continuassem até Junho e vigilância de exames até Julho) é que me apercebi do quanto aquele ano tinha sido especial.
Só tinha duas turmas, uma com 11 alunos, outra com 28 e uma das coisas que mais gostei foi conhecer aqueles jovens, todos entre os 15 e os 17 anos, as suas personalidades, as suas ideias, as suas opiniões, as suas "bocas" à professora mais novinha, as suas reacções aos diferentes tipos de aulas, enfim, conhecer aqueles seres humanos tão tão queridos e que eu unca vou esquecer.
Outra coisa de bom foram os colegas. Da minha variante (Inglês/Alemão) éramos 3 e já éramos amigos desde o 1º ano da faculdade mas foi bom conhecê-los melhor, passar todo o dia com eles e também conhecer os outros estagiários das outras variantes, principalmente Português/Francês e Educação Física. Formamos um bom grupo. Tenho saudades de almoçar com eles todos os dias no Aviz, dos famosos jantares da "malta fixe" (era assim que nos chamavamos) e dos intermináveis brindes, dos dias desportivos em que a escola era um mundo de miúdos a rir e a falar do modo mais saudável possível, das calinadas do Rui e do à vontade do André, da ternura da Luísa e das massagens do Bruno, da frieza do Gonçalo e da diversão do Luís, dos desabafos da Cláudia...
Até das funcionárias.. Da D. Lúcia sempre animada, da outra que nos chamava sempre Sotôôôôr, da D. Mariazinha sempre tão disponível, da menina das fotocópias muuuito lenta, do outro que quando começava a falar nunca mais se calava, da mal humorada da Alice sempre com medo que as professoras estagiárias se metessem com o namorado, outro funcionário da escola.
Confesso, até das orientadoras. Da Dra. Antónia, com energia para dar e vender, sempre a criticar e ao mesmo tempo a acarinhar, sempre a exigir mais porque queria que os seus meninos (nós, estagiários) fossem os melhores da faculdade. E a Dra. Ana Martinho, muito snob e muito jet, já viajou por todo o mundo, tem uma quinta não sei onde, mas também nos defendia quase como filhos quando vinha a chata da faculdade, principalmente a mim, claramente a preferida dos três.
Ontem, mal cheguei à Escola Secundária Garcia de Orta, a escola mais queque do Porto, onde andam todos os meninos da Foz, ouvi logo um "TEACHEEEEER!!!!" enorme e vi três ou quatro das minhas ex-pestinhas a dirigirem-se a mim com grandes sorrisos. À medida que ia subindo a escadaria frontal da escola fui ouvindo "olha a nossa professora!", "teacher, já estávamos com saudades", "vem dar aulas para aqui outra vez", "estávamos com tantas saudades das suas aulas", "não nos quer dar uma aulinha?", mil e uma coisas que me emocionaram, confesso!, e que me deram umas saudades enormes enormes de dar aulas... estou a trabalhar e até é dentro do meu ramo, estou a rever e actualizar um dicionário, mas não há nada como aquele burburinho dos corredores, a cusquice da sala dos professores (digo-vos, é do PIOR!), as carinhas dos alunos, ver que eles aprnderam, ver que eles gostam de nós...
Afinal, o ano de estágio 2004/2005 foi um ano simplesmente fantástico!!!

3 comentários:

Nuno F disse...

O disparate que é so sentirmos saudades do que não temos!? Se sentissemos saúdades por antecipação, então muito provavelmente conseguiriamos dar o valor devido (ou o devido valor) ao que temos, enquanto temos. Às pessoas, às coisas, aos lugares, às pessoas. Deviamos saber ter um sentimento parecido com a "pré-falta".

kiss me disse...

Gostei da ideia!!! :) Da próxima vez, em qualquer situação que seja, vou tentar lembrar-me desse novo conceito!

AnaNin disse...

Vim ter ao teu blog por acaso e gostei. Sei como tu te sentes, dr facto parece que as coisas ganham um brilho diferente quando as perdemos. Mas às vezes também temos tendência a endeusar as coisas só porque ficamos sem elas e epressa esquecemos os aspectos negativos. Mas o facto é que mesmo quando os empregos são maus, mas gostamos das pessoas fica sempre uma parte de nós junto delas.

Se quiseres dar uma volta até ao meu blog,estás convidada. E já agora deixa um comment. Please. É que ninguém lê aquilo!!!