Adults-only
Quando disse às minhas amigas que ia passar as férias de verão num hotel só para adultos elas deram umas risadinhas, chamaram-me malandreca, mas eu estava longe de imaginar que elas não conheciam o conceito. Pelos vistos elas pensaram que era um hotel onde era só coboiada e sabe Deus o que mais. Mas não. Um hotel só para adultos (adults-only, como eles lhe chamam) é apenas um hotel onde não entram crianças. Nada de strippers, nada de feiras eróticas, nada de homens e mulheres com certas zonas à mostra a servir nos restaurantes, nada. É um hotel exatamente igual aos outros.... mas sem pequerruchos.
O escolhido foi o Catalonia Royal Bavaro, que ao lado tem um complexo "irmão", esse sim, para famílias, e cujas instalações podíamos utilizar sempre que quiséssemos. As críticas ao hotel eram muito favoráveis, a nosso ver "ah e tal, tem muito pouca animação, quando queremos festa temos de ir ao do lado", "ah e tal, é muito calmo, não tem divertimentos", etc. Quando li isto fiquei toda contente e estava certa na minha interpretação. O que as pessoas chamam de "falta de animação" é o que eu chamo de descanso, já que nas férias a última coisa que eu quero é aeróbica na praia, hidroginástica no mar, música de discoteca pum pum pum na piscina, estrangeiras a dar gritinhos histéricos ou instrutores dominicanos aos berros a dizer "bamos muchacha, miexe-me esse culo".
Vai daí foram sete dias de puro descanso. E comida (ambos os hotéis oferecem-nos 2 restaurantes buffets e mais uns 5 a la carte). E bebidas (já disse que era tudo incluído?). E andar de catamaran e caiaque. E pilotar lanchas rápidas. E praticar snorkel. E fazer mimos a golfinhos. E passear em praias desertas. E ouvir toda a gente a dizer "pórtugués??? Patatas con bacalao!!", em vez da comum referência ao Cristiano Ronaldo. E passar horas dentro de água. E nadar no mar debaixo de uma tempestade tropical. E acordar ás seis da manhã todos os dias para ver o sol nascer no mar.
E hoje vim trabalhar.



