quarta-feira, novembro 14, 2012

Greve e coisas que tal

Eu sei que as pessoas têm direito a fazer greve. E sei que as pessoas estão mal, que se sentem injustiçadas, revoltadas, humilhadas e, sobretudo, impotentes (e, por "pessoas", incluo-me a mim, obviamente). Não consigo perceber é como é que, sabendo que o país está prestes a falir, que se não fosse ajuda externa (que caso não tenham reparado não é o bicho papão, é ajuda - ato ou efeito de ajudar, auxílio, socorro - e que os outros países não têm obrigação de pagar a caca que nós fazemos e não têm culpa do estado em que estamos) o Estado não tinha dinheiro para pagar os salários e reformas do próximo mês, as pessoas se dão ao luxo de não trabalhar, de dar mais um dia de prejuízo ao Estado, de fazer com que percam não sei quantos milhões de euros. É aquela coisa Maquiavélica de "os fins justificam os meios"? Para que o Governo perceba que as pessoas estão na merda vamos fazer com que o país perca mais uns milhõezitos? Não percebo, a sério que nos tempos que correm não percebo as greves.

Porque não fazer exatamente o contrário? Porque não fazer algo que efetivamente ajudasse o país? Mas sobre isso fala-se mais e melhor aqui:



em Gado Amarrado Também Pasta

Isto sim, era bonito de se ver? Alguém alinha?

23 comentários:

Anónimo disse...

Olá!
Subscrevo na íntegra! E, já agora, parabéns pela coragem. Hoje em dia dizer algo do género é sermos considerados personas non gratas!

Analog Girl disse...

Olha, estou nessa! Isso sim, era algo produtivo, e provavelmente provava mais eficazmente à Europa a nossa capacidade de trabalho e que juntos fazemos a força...

Paula disse...

Também escrevi sobre este tema aqui:
vidademulheraos40.blogspot.com.

Ricardo disse...

O que essa pessoa escreveu, são funções do estado e não dos sindicatos. O estado tem a obrigação, ou então muda a constituição, derecuperar escolas, hospitais e dar à população condições para viver com dignidade. Isso são demagogias. Se todo o tempo, de quem está contra a greve, perdido em blogs, facebook e outras coisas no género, durante um ano de trabalho, acreditem que se fossem feitas as contas dava muito, mas muito mais que um ou dois dias de greve por ano.Está tudo com muita pena do governo, que nos ROUBA literalmente, que nos vai fazer perder a nossa dignidade, que permite uma taxa de desemprego sempre a subir, que não tenta renegociar a dívida por pura casmurrice, para não dar o braço a torcer, para que os nossos sacrifícios não sejam tão duros, porque até final do ano isto ainda vai piorar, um governo que só lhe faltou beijar o rabo à Merckel, que não corta nas despesas do estado. Realmente não percebo.

RCA disse...

Caro Ricardo, no meu blog já tive oportunidade de desfazer uma ilusão. Eu não publico durante o dia, nem eu, nem quase ninguém... As publicações são agendadas. E esta resposta também foi agendada :)... Ok, foi na hora de almoço.

Quanto ao resto, do meu ponto de vista, resume-se a isto: NÃO HÁ DINHEIRO, não é parando a produção que ele vai aparecer e já não adianta dizer que a culpa é do governo.

Anónimo disse...

As pessoas não "param a produção" para "aparecer dinheiro", as pessoas fazem greve para reinvindicar direitos e mostrar desacordo com algumas medidas, sempre foi pra isso que a greve serviu, sem crise ou com crise.

Anónimo disse...

A sério? Então de quem é a culpa?

kiss me disse...

Caro anónimo, acho que agora o problema já não é de quem é a culpa. pode ser do governo, de Deus, do Diabo, dos aliens, de quem for. A questão é que o país está fa-li-do. E parar um dia de produção das empresas e serviços que contribuem para que esse mesmo país fique um bocadinho menos falido não ajuda em nada, pelo contrário, só prejudica.

S* disse...

Isso sim, era grandioso.

Anónimo disse...

Relativamente à responsabilidade, os governos não são eleitos? Agora como o país chega aqui, a falência dos sistemas financeiros internacionais, os países que cresceram às costas de subsídios em vez de estratégias sustentadas, o consumo financiado por crédito fácil e irresponsável, de quem recebe e de quem dá(telemóveis novos, televisões, roupas, carros...), não, isso não se resolve numa greve.

Anónimo disse...

"E parar um dia de produção das empresas e serviços que contribuem para que esse mesmo país fique um bocadinho menos falido não ajuda em nada, pelo contrário, só prejudica."

Mas quem é que disse que fazer greve serve para ajudar o país a ficar menos falido? lol Por favor informem-se, leiam sobre o que é a greve, o direito à greve e PARA QUE SERVE, antes de virem comentar, por favor.

Mais uma vez, como se tivessem 6 anos: a greve é uma forma de protesto que os trabalhadores utilizam para reinvindicar direitos e mostrar descontentamento sobre medidas impostas, pressionando o estado a alterar/modificar essas medidas, ou seja a negociar.

A greve não tem nada a ver com a crise, já existia muito tempo antes da crise, e não pode ser abolida porque há crise. Ok?

Anónimo disse...

Para quem não sabe ou acha que sabe o que é a greve: http://pt.wikipedia.org/wiki/Greve

P.S: e eu nao fiz greve.

kiss me disse...

"Mas quem é que disse que fazer greve serve para ajudar o país a ficar menos falido? "

Eu disse exatamente o contrário. Que fazer greve SERVE para tornar o país mais falido porque é um dia de trabalho e, consequentemente, de produção que perde.

As pessoas têm o direito de reclamar, têm TODO o direito a fazer greve. mas todo mesmo, eu não estou a dizer que não têm. Simplesmente, ao não trabalharem, é um dia em que as suas empresas e serviços não produzem. Se não produzem, não geram dinheiro. Se não geram dinheiro prejudicam a economia. E o meu ponto é, as pessoas estão a reclamar contra o mau estado em que a economia está e ao mesmo tempo estão a fazer com que ela ainda piore mais pois é um dia inteiro de produção que essa mesma economia está a perder.

Se a minha empresa me dissesse que está com dificuldades e que precisava que os funcionários viessem trabalhar gratuitamente um feriado (já o fizeram, não por dificuldades mas por cumprimento de prazos, e eu vim com todo o gosto, sem me pagarem mais por isso), num fim de semana, de noite, quando fosse, eu até podia reclamar, que são uns chulos, que não se preocupam com as pessoas, etc. etc. mas viria trabalhar e ajudar, com o meu TRABALHO, à recuperação da empresa. Agora imagine que o Estado é uma grande empresa (que é). O quanto não ajudaria se todos trabalhassem um dia de graça. E o quanto não prejudica todos faltarem um dia.

Anónimo disse...

Acho que ainda não percebeste. Ninguém quer abolir a greve. Neste momento e para os problemas que o país passa, a greve não serve para nada.

De facto, parar a produção neste momento é o pior que pode acontecer. Como a Kiss disse, fa-li-dos. Podes exigir os direitos que te apetecer, mas isto não é bem aquela coisa do quem não chora não mama. Podes chorar à vontade, gritar, colar cartazes, pintar paredes ou o que te apetecer. Não há dinheiro.

Ana 100 Sentidos disse...

I'm in!

Miss Pipeta disse...

Não sei se isso será bem assim... No fim do mês o trabalho que havia para fazer vai aparecer feito com mais um ou menos um dia de greve. E os patrões metem hoje muito dinheiro ao bolso com os dias de salário que ficam por pagar!

Miss Pipeta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Não, eu é que acho que ainda não percebeste.

As pessoas que estão a fazer greve, não o estão a fazer porque "não há dinheiro", ou porque "estamos fa-li-dos". A greve não é por esses motivos, lamento mas estao equivocados/as. A greve é por causa das medidas que o governo pretende tomar (e já tomou) para "resolver" a dita crise, ou melhor, pagar a divida externa (pois ainda nao apresentou nenhuma solução para haver crescimento economico)

Portanto se eu nao concordo com as medidas, pois existem varias medidas que podem ser tomadas, e o governo escolheu as que prejudicam os contribuintes (toda a gente sabe disse, basta ler qualquer jornal economico) faço greve, revolto-me, grito, "colo cartazes", whatever, mas não fico parada a dizer "oh, não podemos fazer nada, temos de concordar com tudo o que é decidido pois não há dinheiro!.

Vejam a grecia, que viu a sua divida perdoada (vejam la se eles nao se manifestaram?? e nao fizeram greves??e nao conseguiram q lhes perdoassem a divida??), à conta das greves e manifs, e ha de sair da crise, enquanto que aqui o discurso é este "não ha dinheiro! estamos fa-li-dos" mas não se perguntam o que é q o estado vai fazer para que haja mais dinheiro, e como é que isso vai resolver a crise e gerar crescimento económico a curto/longo prazo.

Bem, mas tambem percebo que a maior parte das pessoas que aqui comenta pouco ou nada sabe de economia ou politica, não que tenha que se ser um entendido na materia, mas ha um minimo indispensavel para nao se sairem com demagogias baratas e misturar alhos com bugalhos.

kiss me disse...

Acho que o anónimo é que não percebe de economia. Eu não quero que ninguém fique sentado a dizer "oh, não podemos fazer nada, temos de concordar com tudo o que é decidido pois não há dinheiro!."

Quero é que vão trabalhar para ajudar a nossa economia, pôr a economia a rolar, fazer sapatos, roupas, livros, eletrodomésticos, etc. Se os políticos não estão a fazer o seu trabalho para ajudar o país (que, concordo consigo, não estão!!), ao menos fazemos nós o nosso!

O estado pode fazer ou não a mínima ideia de como nos tirar da crise mas quem faz greve só está a fazer com que o Estado perca ainda mais dinheiro e por isso ainda tenha mais "crise" para resolver.

E já agora eu, quando peço dinheiro emprestado para um café na máquina, no dia seguinte devolvo-o, não digo "não pago" e vivo às custas das colegas do lado.

Mas olhe, desisto de argumentar. Faça greve à vontade, prejudique a sua empresa (mesmo que a sua empresa seja o Estado) à vontade, a consciência é sua. Se a minha empresa um dia falir, pelo menos tenho a consciência limpa de que não foi por eu ter me ter baldado.

Ricardo disse...

Tanta demagogia que para aqui vai, tantos amiguinhos dos patrões (hipocrisia)e do governo. Como diz um anónimo em cima não sabem o que quer dizer greve? e não tenham pena de ninguém pois como alguém disse o trabalho que não se fez hoje na maioria dos casos faz-se noutro dia e nos trabalhadores do estado vejam quanto eles poupam num dia que não pagam. RCA, devias estar mais informado sobre sindicatos e toda a sua história, toda a sua luta e tudo que fizeram e fazem pelos trabalhadores.Começa pela América, passa pelo brasil e chega à europa. De certeza que não estás sindicalizado mas eu estou e sei bem o que têm conseguido a favor dos trabalhadores.Lê,pesquisa e depois fala.

RCA disse...

Caro Ricardo, parece-me que está a fazer algumas confusões. A primeira é confundir um blog, onde são emitidas opiniões, por um serviço noticioso. Você tem a sua opinião e eu tenho a minha. Acontece que para além de mal educado, é claramente desinformado (viu, eu por aqui tento utilizar a ironia, porque podia pura e simplesmente dizer que é ignorante). Se no primeiro caso provavelmente já venho tarde e é algo que deverá ser resolvido no foro familiar, quanto ao segundo posso ajudar.

O direito à greve efetivamente está consagrado (reparou na palavra que utilizei, revela que sou uma pessoa com alguma formação) na constituição. Na nossa e na maioria das constituições das sociedades ocidentais. Efetivamente é uma forma de protesto pela qual os trabalhadores tentam reivindicar direitos e regalias ou meramente pretensões (por estranho que lhe possa parecer, nem sempre os trabalhadores, onde eu me enquadro, terão razão).

Acontece que no caso presente, os direitos reivindicados são inexequíveis (viu, mais uma palavra cara). Efetivamente o país corre o risco de uma falência, se quiser, “técnica”, que é uma forma bonita de dizer que foi tudo para o caralho (ao utilizar vernáculo, outra palavra cara, revelo que sou uma pessoa polivalente). Portugal enfrenta um problema estrutural que se chama endividamento, depois pode ir à wikipedia ler o que significa exatamente, mas se calhar é melhor ler livros de finanças públicas, os mesmo que li durante o curso de Administração e Gestão de Empresas (foi muito subtil?). Em todo o caso eu ajudo, por sobre-endividamento entende-se dívida cujo serviço o país não pode pagar. Por serviço entende-se juros.

Eu, que sou uma pessoa de bem, faço por conter o meu endividamento e, quando me endivido, faço por pagar a dívida. Aparentemente há outras pessoas que preferem endividar-se desenfreadamente e sem avaliar as consequências. Continuam a trocar de televisão, telemóvel, comprar roupas novas, carros, férias… São certamente as mesmas pessoas que não perceberam o que a Isabel Jonet estava a retratar, mas eu posso explicar. Estava a falar de todos aqueles que continuam com a SportTV ligada mesmo estando no subsídio de desemprego (se quiser mais dados contraditórios entre o desemprego e os padrões de consumo posso arranjar).

Nos países é igual. Há aqueles que pagam as suas dívidas e os outros que gastam o que têm e não têm. Com isso vem o tal serviço de dívida. Agora surgem duas opções. A primeira é pagar e para isso fazer sacrifícios. Reduzir o nível de conforto da população, nível de conforto este que nunca deveria ter existido, dado que o país nunca gerou rendimentos que o justificassem, daí a situação atual. A segunda é deixar de pagar e ver se a coisa pega. E como neste momento não estamos a falar de direitos e regalias dos trabalhadores, mas sim de sustentabilidade do tecido económico, emprego e, não tarda nada, de fome, não, uma greve não resolve nada.

Pessoalmente, prefiro a primeira. Um choque económico é sempre melhor que fazer de conta. O país reajusta-se e segue com a vida. Repare que com isto não estou a dizer que a política seguida por este governo me parece correta. Longe disso e nem vou perder tempo a explicar-lhe o que a minha experiência, primeiro como analista financeiro e depois como gestor de empresas, me ensinou (tente lá então adivinhar a minha idade).

Por fim, quanto aos meus patrões. Pagam-me bem, respeitam-me e eu retribuo em igual medida com o meu trabalho e respeito. Suponho que não gosta dos seus, mude de emprego.

Anónimo disse...

Mas alguma vez toda esta gente que se move entre plenarios, greves e manifestações está sinceramente preocupada com direitos dos trabalhadores? O que sabem, é que se um dia admitirem que esse não é o caminho, terão de voltar para os seus postos de trabalho que deixam a toda a hora com a justificação da actividade sindical, o que me parece que sinceramente não lhes agrada. É que o valor que acrescentam às empresas e serviços que os sustentam é nulo, e mal por mal, é muito mais fácil a cena da luta e da contestação do que fazer aquilo para que foram contratados: trabalhar! Quem duvida que são as últimas pessoas a terem interesse que a coisa se endireite??

RV disse...

Concordo com o que foi dito atrás. Mas não sou totalmente contra a greve. Acho que é uma maneira de o povo demonstrar que não está de acordo com as medidas e o rumo que o país está a tomar. É uma forma de manifestação e de demonstração da opinião do povo.
Não nos manifestarmos e demonstrarmos o nosso descontentamento é que, para mim, seria um erro. Este pais já parece uma republica das bananas e passarmos por tudo o que estamos a passar sem demonstrarmos que estamos revoltados, imagino o perdigueiro que não seria.
Se fazer greves é o melhor método? Talvez não, mas é um método. talvez mais para a frente consigamos nos manifestar de uma forma mais sustentável. Agora, não fazer greves, porque oh meu deus, não estamos a produzir... Não me parece que isso no fim se vá notar assim tanto. Porque o que não é feito hoje é feito amanhã, sem o trabalhador ganhar mais por isso...