terça-feira, janeiro 12, 2010

Cidade dos Anjos

Numa fase em que até nem faz muito sentido eu estar assim, ando a pôr em causa tudo que é coisa romântica que me passa à frente. Se leio um poema penso “Ei, que treta, ninguém gosta de ninguém assim”, se ouço uma música acho que é um exagero, se vejo um filme rio-me do quão irreais as coisas são.

Este fim de semana vi a Cidade dos Anjos pela segunda vez (a primeira foi num aniversário meu, tinha para aí 12 anos e desde então nunca mais o tinha visto). A ideia que tinha do filme é que era lindo, romântico e muitíssimo triste, então o gajo parte-se todo para virar humano, perde a eternidade, a música pelas manhãs, a capacidade de ler o pensamento, a ausência de dor, frio, etc. por causa da Meg e ela morre-se-lhe ali no dia seguinte, após uma única noite de amor, quando toda a gente sabe que a primeira vez nunca é a melhor? (claro que esta ideia não me surgiu quando tinha 12 anos). Adiante. No meu estado normal olharia para o filme e ai que lindo e snif snif. No domingo olhei para o filme com espírito de eh pá, esta cena é mesmo estúpida. A ver:

1 – Um gajo aparece-nos à frente (feio que dói, desculpa Nicholas mas és) todo vestido de preto, a dizer coisas meio sem sentido, tudo muito profundo e filosófico. Não come, aparece em todo o lado sempre com a mesma roupa e a gaja apaixona-se logo. Meia desconfiada pergunta-lhe quem ele é e ele diz-lhe “ah, é verdade, esqueci-me de dizer, sou um anjo” e a miúda cai-lhe aos pés apaixonadíssima, é o homem da minha vida. Na vida real, se um gajo nos dissesse “sou um ser celestial, apaixonei-me por ti e quero mandar-me de um prédio a ver se fico humano para poder cheirar o teu cabelo” ou fugíamos a sete pés, ou internávamo-lo num hospital psiquiátrico ou no mínimo marcávamos-lhe uma consultazinha no psicólogo lá da vila.

2 – O gajo atira-se, vira humano, tenta procurá-la e a médica amiga diz-lhe que está na casa do tio no Lago Tahoe. O ex-anjo-humano decide ir para o Lago Tahoe sem saber onde era essa tal casa, não há-de haver assim tantas. Eis que vê uma lista telefónica e toca a procurar a morada, como se alguém acabadinho de chegar ao mundo dos humanos soubesse o nome de todos os tios da amada. Mas vai lá dar, incrível.

3 – Chega lá a casa e a miúda está impecável, beijam-se, dormem juntos, ele despe-a e a pele dela está mais lisinha e depilada que o rabinho de um bebé. Ora, qualquer comum mortal do sexo feminino que ia para uma cabana sozinha num lago qualquer iria estar com os pijaminhas da avó, robe de manta polar, meias de lã grossas e depilação era para o tecto (bendita depilação definitiva que me vai resolver muitos destes problemas).

4 – Por fim a famosa cena, comum a 99% dos filmes em que alguém morre, em que as personagens nunca morrem logo. Até podem levar 3 balázios, serem atropeladas por um camião, que é o caso, serem atacadas por um urso polar, mas nunca morrem imediatamente. Há sempre tempo para o amado chegar, abraçá-la, dizerem coisas muito bonitas um ao outro e só aí é que dão o suspiro final.

E o filme acabou comigo a pensar um misto de “afinal não é tão giro quanto eu pensava” e “porque raio estou eu a pôr em causa as cenas românticas do filme quando até devia estar a olhar para o brightside do mesmo?”. Pancas.

17 comentários:

Mary disse...

Esse filme é deprimente de tão mau

Pocahontas na Cidade disse...

Epa... Gosto tanto do filme :(
És má :( Já nao gosto de ti!!!
Já não quero ser tua seguidora...
Bloqueia-me!!

Pronto, já passou...! :)

Mas quero fazer um reparo, gaja que é gaja tem de ter a depilação feita seja inverno ou verão!

admirador secreto disse...

Este filme perdeu a "magia" toda com o passar dos anos!

Beijiticos

Pocahontas na Cidade disse...

Para mim passou depois de ler este post :|

Hehehe

Vanessa Souza Moraes disse...

É um filme lindo e doloroso...

Rosa Cueca disse...

Kiss, o Nicholas causa em mim a mesma sensação que sopa dos pobres - um dia posso precisar, mas até ver só o encaro em caridade.

Na altura gostei do filme e choraminguei (coisa que acontece recorrentemente perante filmes xuxa, nomeadamente se os estou a visualizar sozinha)

Analog Girl disse...

Mas esse filme tem brightside?
Sempre o achei muito deprimente. E eu que me perco pelo romantismo, sempre o achei uma lamechice exagerada, e ficava sempre abatida cada vez que o via.
Bem, dito isto percebe-se que concordo com o teu post...
:)

Pedro disse...

A unica coisa de jeito desse filme é a música Iris dos Goo Goo Dolls
:)

Ricardo disse...

Aqui o menino recomenda a versão menos poética mas com a ideia original: Wings of Desire + Faraway, So Close do Wim Wenders - do Wim Wenders! Destes vais gostar.

;)

Miss Kin disse...

loooooooooooooooooooooooooooool

Todo o post faz tanto sentido que dói, mas que na altura em que o vi, chorei baba e ranho e continuei, depois de ele acabar, durante bastante tempo, isso chorei! Don't ask...

Dexter disse...

E do ponto de vista dele....com tanta gaja interessante por aí tinha logo de se apaixonar pela Meg Ryan e aquele arzinho de mórmon de Salt Lake City? Para se mandar de um prédio que fosse pela Penélope Cruz, ou algo assim do género...

Spirit disse...

A lógica da indumentária feminina numa cabana sozinha é irrefutável! :)

Carla Isabel disse...

LOL

É um filme, pá!
...e quando elas acordam depois de uma noite bem passada, lindas e pintadinhas e com tudo no sitio? LOL essa é a parte que eu mais gosto LOL ( a de estarem lindas e pintadinhas!)

Anónimo disse...

Adorei esse filme..tinha 16 anos quando o vi pela primeira vez e chorei e emocionei-me de tanta amor...lol..agora com 25 anos vejo o amor de outra forma real mas á mesma emocionante..no entanto continuo a gostar do filme...alimenta o meu lado espiritual...NÃO religioso..
Mas ri-me a ler os teus comentários..beijinho grande

Ana

marta disse...

Se achas que esse é surreal, experimenta o "Kate and Leopold"! Nem o Hugh Jackman o safa!!

morningstar disse...

ah! como eu te entendo! eu sou toda racional e nunca fui à bola com comédias românticas... geralmente acho-lhes uma certa piada até à parte em que a gaja vai não sei para onde de avião e o gajo vai a correr até ao aeroporto atrás dela para lhe dizer que a ama perdidamente (deve ser a cena mais repetida da história de hollywood.... enfim).

também nunca gostei, em particular, de comédias românticas com a Meg Ryan... parecem-me todas iguais...

por isso, olha... entendo-te perfeitamente... acho que um filme pode ser romântico sem cair no cliché, e esse "cidade dos anjos" em versão hollywoodesca aborrece-me de morte.

**
ms

日月神教-任我行 disse...

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