segunda-feira, novembro 16, 2009

Inquérito

Gente de Lisboa e do sul em geral, digam-me cá uma coisinha. É que aqui no norte existe o mito que vocês falam muito bem, que raramente dizem uma asneira e que se escandalizam a valer quando ouvem a linguagem vernácula dos habitantes nortenhos. Isso é verdade? Vocês só soltam um palavrão quando batem com o dedo grande na esquina da cama ou quando o árbitro rouba o Benfica ou são meninos para, tal como nós, dizerem uns foda-se's e outros no meio das frases, ainda que meio sem sentido? É que aqui em cima é verdade, os palavrões são normais, os homens tratam-se carinhosamente por "meu caralho" (ou gay, depende), numa frase de 10 palavras 3 são palavrões (estou a arredondar por baixo) e nunca ninguém diria "aquele rapaz atrai-me mas tem cá uma linguagem, que horror". Os palavrões aparecem nas frases quase sem darmos conta. Vocês acham mesmo isso ou este é um mito criado pelas telenovelas da TVI que são todas passadas em casarões alentejanos de famílias lisboetas "bem"? Vocês também soltam o lado negro da vossa língua com um certo à vontade ou uma frase como "foda-se, as putas das botas estão a magoar-me" é tão improvável sair da vossa boca como "ontem vi um pinguim no meu quarto"? Vá, esclareçam-me, que isto pode não ter importância de estado, mas é uma questão curiosa.

37 comentários:

Daniela disse...

Eu digo imensos palavrões, mas não é com intenção de ofender ninguém. É mesmo a meio das frases como mencionas. São tipo virgulas... Mas a maioria das pessoas que conheço não usa e inclusive o meu marido me "critica" por isso.

ELA disse...

E não é que eu nunca pensei nisso??
Mas realmente, nós, os nortenhos usamos os palavrões constantemente e sem motivo aparente, já fazem parte. Agora que levantaste essa questão, fiquei com a mesma dúvida do que tu!!

Diana disse...

LOL claro que saiem... a questão é que eu acho que saem mais suavemente, e não carregamos tanto neles como as pessoas daí de cima!!! mas a vossa forma de "tratar" tudo e todos, a mim, encanta-me! ;)

Kitty Fane disse...

Eu é raro dizer um palavrão, raro mesmo, e faz-me imensa impressão quem em cada frase diz um. Mas isso sou eu. Cá em baixo também há muita gente que diz asneiras, mas, claro, aí para cima batem-nos aos pontos.:-)

Sábado no concerto dos Depeche Mode estava um grupo de rapazes e de raparigas do Porto (deduzimos pela pronúncia) que, além de gritarem e de serem do mais espalhafatoso que há, em cada frase diziam um palavrão. Sinceramente, não acho que fique bem. Até os meus amigos homens que de vez em quando atiram com umas asneiras sobretudo quando falam entre eles (homens), estavam mais ou menos "chocados".

Mas, pronto, é como tudo, há de tudo em todo o lado e cada um sabe de si. :-)

Rosa Cueca disse...

Eu digo poucas asneiras.
Mas quando digo é cum buntade carago!

Como quando me sai um "Merda, já fostes" mental.
Ou quando me aleijo.
Ou quando estou chateada.
Ou isso.

Miss Kin disse...

Diz que quando me irrito sai-me o lado lunar da língua portuguesa todo, mas de resto, não estou habituada a ouvir palavrões sem terem um porquê.
Mas parte da família mora em Coimbra e por lá a coisa muda de figura...

Gaja com G maiúsculo disse...

Ora bem, como Gaja do Norte que sou, venho confirmar este post. No entanto, não digo muitos palavrões, mas se me magoo, ou por vezes no trânsito sai um ou outro! Nós temos expressões tão giras...do tipo''fuogoooo és mesmo morcão''! Agora lembrei-me daquele cromo que foi aos Ídolos, o Chico Fininho :)

Beijinhos

Gaja com G maiúsculo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ruca! disse...

lá vamos largando as nossas asneiras, mas nada que se compare com à tripeirada.

Rapunzel disse...

Não tanto quanto vocês (e vou aí com regularidade ter com amigos!), mas digo bastantes... :D

kiss me disse...

Eu lá digo os meus mas não é por sistema, é no trânsito ou quando me chateio (e mesmo assim há uns que nunca digo).

Kitty, há gente que exagera mesmo, roçando o "porco".

Sonia disse...

Não sei como funciona lá para baixo, mas eu cá sou do Porto caralho ;-)

Sasha disse...

Eu digo muitos, se calhar é por ser da "terrinha" é que quando cheguei a lisboa percebi que pessoas da minha idade dizem muito mas muito mas muito menos palavrões que eu. A mim sabem-me bem! ;)

Débora disse...

Como gaja-do-norte-a-viver-em-lisboa que sou, tenho a dizer que quando me chega a mostarda ao nariz, ficam a olhar para mim, assim a modos que com os olhos esbugalhados. Tirando isso, sou uma menina bastante bem comportada e contento-me com um "fónix" para não ofender os alfacinhas, seres mais sensíveis :)

Miss G. disse...

Eu estou como a Kitty. É raro dizer asneiras e não gosto de ouvir. Sobretudo em mulheres. Cá em Lisboa de facto as asneiras são menos comuns do que aí no Norte e, sobretudo, acho que ainda está um bocadinho associado à educação das pessoas. Não à classe social mas à educação.

Joanika disse...

Confirmo!
Eu de uma terrinha do Centro, hora e meia acima de Lisboa, sempre fui menina de dizer umas asneiras. Nada a roçar o "porco", mas dizia.
Quando vim estudar para a capital começei a notar que particamente ninguém dizia uma asneira que fosse.
E pronto, lá me habituei a esta gente e agora sou eu que estranho quando oiço alguém dizer caralhadas (xD) a torto e direito.

Ah, continuo a dizer uma outra...mas em menor escala. :)

L'Enfant Terrible disse...

É mesmo um mito! Simplesmente nós somos mais recatados!

Bailarina disse...

Olha, o que eu acho é que nós somos uns deslargados... 8) Acho, que não em a ver com classe, estatuto ou educação!! Somos muito descontraídos e queremos é viver... Não que as outras pessoas não queiram... Mas acho, que somos mais descontrídos!!

(Acho que aqui pelo meio, tinha ficado bem meia duzia deles... 8))

Daniela e Yolanda disse...

Dizemos palavrões sim, mas talvez não com a mesma frequência que vocês.
Nao sei xD

Vanita disse...

Também faço parte do grupo que não era de Lisboa, mas já cá vivo há tantos anos que a coisa acabou por se entranhar. Quando era miúda não dizia palavrões, embora os meus amigos dissessem, porque não me sentia bem. Era demasiado agressivo. Mas entretanto, o convívio com uma amiga que foi estudar para a Covilhã despertou a "asneirenta" que existe em mim. E sim, solto uns palavrões de vez em quando, sobretudo quando me "lixam" o juízo ou no trânsito. A diferença é a proporção. Para usar um exemplo teu, enquanto no norte dizem: "foda-se, as putas das botas estão a magoar-me", se calhar cá em baixo sai um "fodas-se, as botas estão a magoar-me" ou um "as putas das botas estão a magoar-me". É tudo uma questão de percentagem ;)

Li Fresca disse...

OLha, eu sou cá de "baixo" e tenho uma língua...
Com muita frequência soltam-se uns palavrões valentes, principalmente no carro. Pior, é quando me descuido á frente das minhas filhas...

Feiticeira disse...

Eu sou meia do norte, meia do sul e vivo em España onde homens e mulheres, seja no trabalho seja na rua dizem ainda mais palavrões que as pessoas do norte. Eu não digo palavrões, não gosto, não acho que fica bem em ninguém sejam homens sejam mulheres. É mais, fica mal. Mas for the record, e respondendo à tua pergunta, já tive um namorado que sendo de Lisboa conseguia fazer corar um camionista nortenho. Ficava muito envergonhada, claro está que não funcionou porque dizia palavrões mas depois vinha com tretas sobre não se poder dizer prenda mas sim presente, não vermelho mas encarnado, não acidente mas desastre...

kiss me disse...

Feiticeira, tive um(a espécie de) namorado que era exactamente a mesma coisa. Era car**** para a aqui e para ali mas depois não digas prenda ou namorar, são palavras horríveis. Também não resultou, mas não foi por causa da linguagem ;)

Claudia disse...

No meu núcleo de amigos e conhecidos é raro ouvir uma asneira que seja. "Merda" é mesmo o limite...e e!

From Lisbon City

SP disse...

Sem dúvida que o pessoal do norte carrega muito mais nos palavrões que o pessoal de Lisboa, mas eu acredito que por essa e por outras razões, são pessoas mais verdadeiras, mais genuínas.

Dizemos poucos, mas dizemos.

Anónimo disse...

O meu namorado é do Porto e faz justiça a tudo o que se diz do pessoal do norte, então em termos de palavrões é de bradar aos céus. Imaginem os primeiros jantares com a mnha família, lisboetas de gema. Passava a vida a abrir-lhe os olhos e dar-lhe toques para ele ter cuidado, mas houve um belo dia em que ele se passou e disse bem alto, à frente da famelga toda : "Fuodass, num bais parar de me dar pontapés debaixo da mesa carailho?" Silêncio sepulcral durante uns segundos, até que a minha avó desatou às gargalhadas e pronto. Ás vezes ainda me faz um bocadinho de impressão,mas é assim que ele é e seria impossível manter a fachada muito tempo. Mas está bem melhor, agora já só diz para aí cinco numa frase com dez palavras :p * Rita

Carla disse...

Não acho que sejamos assim tão santinhos, mas também não tanto como as pessoas do norte. Confesso de vez em quando sai-me uma ou outra, mas nada de encher uma frase.

Acho que isso também varia muito em relação ao ambiente em que te encontras, com os amigos normalmente acabam por sair mais porque estás num meio mais "libertino".

Beijinhos*

Coisas de Xicas disse...

eu sou de lisboa e confirmo que por lá as asneiras são raras nas mulheres nos homens nem tanto (mas sem nunca chegarem aos calcanhares dos norttenhos), só em ultima instancia se dizem.

mas agora trabalho no norte, e posso também confirmar que vocês não têm mesmo papas na lingua! aliás, uma rapariga que aqui trbaalhava dizia que teve que trabalhar perto de lisboa, e odiou pois não podia estar num café/bar e dizer f*** sem que tod aa gente parasse e olhasse para ela.... e então não ligou bem com a opressão :)

bjss
xica nica

Anónimo disse...

Kiss me(não sei se por aqui se usa o teu nome verdadeiro ;p), daqui a Mariana :)

Como sabes sou do Norte, daquela localidade perto da tua e vamos àquela praia cheia de vento eheh! Eu nunca disse muitos palavrões, por muito que toda a gente na escola os dissesse. Em casa nunca fui habituada a ouvi-lo (mas n quer dizer nada, muito filho de gente que também não diz dá 5 palavrões em cada frase, mas tenho cá para mim que é maior a probabilidade quando desde pequenino se ouve, pois começa a ser mais uma palavra para o vocabolário)! Agora, as vezes sai-me um merda ou foda-se, mas nunca em situações de jantares de família, como acima foi referido! Aliás, digo mais para mim em voz alta, muito mais na onda do "foda-se, raio das botas" ou "boa merda" lol quando algo correu mal!
Cá no trabalho em Lisboa, tenho a dizer que alguns dos meus colegas (do Sul) já proferiram na empresa pérolas como "a Puta da máquina", foda-se em frases várias e merda em muitas, o que me levou a pensar "Afinal...andam-nos a enganar, aquilo nas novelas da TVI é tudo um grande esquema para acharmos que "Bolas" é o seu limite)! Por isso, já nada me espanta e já nada tenho por garantido quanto a este assunto!

Beijinhos=)

Anónimo disse...

kiss me, fiquei curiosa... "prenda" era "presente", "vermelho" era "encarnado", certo, mas "namorar"?! o que é que ele dizia em substituição?

pipa

kiss me disse...

Pipa, ele dizia "andar" ou "ser namorado/a de". Uma estupidez...

Nuno disse...

Eu sou da Bairrada, Coimbra/Aveiro e eu uso Palavrões a torto e a
direito.

Se eu podia viver sem dizer umas caralhadas? Sim, mas fodasse, não era a mesma merda!

Alexandre disse...

Eu sou de Torres Vedras e cá é conforme as pessoas. Os mais novos têm sempre a mania de falar MAL no meio de uma conversa com amigos - mesmo no meio da rua, à frente de desconhecidos, mas a região não é asneirenta.
É mesmo conforme as pessoas.

Anónimo disse...

Não gosto muito que se usem palavrões no lugar das vírgulas, como aqui se disse. Conheço uma rapariga que os usa assim e faz-me confusão (fica-lhe tãaaaao mal). Eu raramente os digo, mas de vez em quando tem que ser lol
sou mais da opinião da Kitty.
Bjs
Shymay

gralha disse...

A diferença é que, com sotaque do Norte, tudo é perdoável. No Sul fica mais feio dizer palavrões a torto e a direito.

Dreamer disse...

Sou de Braga e lá sempre cresci a ouvir palavroes todos os dias. No entanto, no meu dia-a-dia raramente os utilizo, apenas quando fico nervosa aí reconheço que não podia ser mais nortenha. Acho que o pessoal do Sul leva os palavrões muito à letra, quando muita das vezes dizemos um palavrão só para dar mais enfase ou para demonstrar a nossa frustração ou o que seja. E no Norte as pessoas quando ouvem um palavrão, não irão pensar que essa pessoa é mal-educada, apenas que está chateada e precisou de o utilizar. Ouvem-nos frequentemente a dize-los porque somos mais emocionais que o pessoal do Sul.

E admitam, dizer "Foda-se, que puta de merda que esta merda é!" às vezes sabe bem! :) (consigo arranjar frases ainda com mais palavrões, mas esta chega! lol e sim, ja utilizei esta frase assim como a maior parte das pessoas que eu conheço, mas claro há variantes!)

Miss Complicações disse...

Não sou muito de palavrões, mas quando me fazem passar lá sai um "Filho da Puta"...merda e porra não contam... pois não?