quinta-feira, janeiro 29, 2009

NY


Às vezes lembro-me de NY. Da 5ª avenida e de a percorrer todos os dias. Do amontoado de gente em frente à árvore de Natal do Rockfeller Centre. Lembro-me de Times Square, das luzes a gritar, dos musicais mesmo à porta do hotel. Do Soho, ah o Soho dos prédios de ferro forjado, das lojas, dos restaurantes. De descer às caves falsas das lojas dos chineses para comprar carteiras, com aquela adrenalina de nos estarmos a meter em esconderijos com membros de gangs chineses. Da Miss Liberty a dizer-me adeus com o pôr do sol por trás e olhar para o lado e ver Manhattan a escurecer, a iluminar-se. De andar muito muito, das dores nas pernas curiosas, nos braços consumistas. Da vista do topo do Top of the Rock e do Empire a piscar-me o olho. Dos bagels de manhã e de queimar a boca nos lattes do Europan, das pizzas do John's e do almoço soalheiro no Finantial District com New Jersey a observar-nos do outro lado. Da meia-noite portuguesa e os beijinhos no quarto e da meia noite americana. Do meu breakdance em vestido de noite e da coroa brilhante de papel e gaita de festa na boca. Da X em coma  do meu lado esquerdo e da Y e do Z a discutir e a agredirem-se do meu lado direito e dos americanos que vinham ter comigo e perguntavam "are they ok?". De andar uma hora debaixo de -10º a tentar parar taxis cheios, enquanto a X, ainda em coma, andava no meio das duas faixas de trânsito da rua 14 e de eu estar disposta a ir de Meatpacking District para Times Square num carrinho puxado a  bicicleta, tal o desespero. De correr para o metro enquanto a Y corria atrás de mim, num vestido rosa de princesa e nuns saltos Nine West de 10 cm a dizer "amiga, espera, não consigo correr com estes saltos" e eu cada vez corria mais, consumida pelo frio. De conseguir dormir em hipotermia e acordar e rir muito da noite anterior e da A e do B que chegaram a casa com menos 100 dólares em taxi e a roupa toda vomitada. Do Mamma Mia e da voz da protagonista e das lágrimas que escorrerem pela cara de 4 jovens adultos quando ela cantou "The Winner Takes It All". De dançar muito no fim e cantar muito e sair de lá com um sorriso de orelha a orelha. Do Central Park e de correr atrás dos esquilos e de NY espelhada nos lagos. Dos cachorros a 2 dólares, pequenos e só com salsicha, primos distantes dos cachorros portugueses, cheios de batata, cebola, cenoura. Dos museus, de Andy Warhol e Roy Lichtenstein a abraçar-me, enquanto Picasso me puxava só para si. De Madison Square Garden a encher-se, dos jogadores de dois metros e de torcer pelos Knicks como se estivesse a torcer pelo meu Benfica. De gritar defense e offense como se ir ver os jogos da NBA fosse rotina de sexta-feira à noite. De andar e olhar e esquecer-me de fotografar porque o mais importante era viver o momento e não registá-lo. Mas sobretudo, da companhia, dos sorrisos, dos jantares, da confusão nos quartos, dos olhares, dos abraços, das expressões, dos beijos, dos amigos. 

E num dia como hoje, em que se o trabalho já era pesado, mais pesado ficou, lembro-me disto e só me apetece sorrir.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Night at the movies

Ontem foi, mais uma vez, noite de cinema. Como na noite anterior tinha morrido de medo da chuva e do vento e sabia que esta noite ia voltar a chover e a ventar, decidi ocupar os pensamentos com algo melhor do que barulhos assustadores na minha janela: o Brad Pitt. A história baseada no conto de F. Scott Fitzgerald pôs-me a chorar desalmadamente, como, aliás, já tinha acontecido com o Seven Pounds. Mas se nesse a companhia era feminina, partilhando as minhas lágrimas, neste a companhia era masculina, logo, era necessário portar-me como uma mulherzinha e não inundar o chão dos cinemas do Arrábida. Mas não, a parte final onde ela, já velha, cuida dele bebezinho partiu-me o coração e no fim do filme lá estava eu novamente com um aspecto lastimoso. Olhos vermelhos e inchados, manchas na cara, fungosa e ranhosa. Um mimo! O espécime masculino ri-se e diz "és tão engraçada" enquanto a expressão grita, descaradamente, "mulheres!"
  

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Pronto, eu confesso

Tenho um bocadinho de medo de muita chuva e muito vento a meio da noite. Posso estar a dormir sozinha ou nos braços do Hulk (o personagem, não o jogador, credo!), que a verdade é dura e crua e hoje admito-a perante vós. Eu tenho medo de tempestades nocturnas.

(também tenho medo de inundações a meio da noite no quarto de banho mas isso é história para um outro post)

terça-feira, janeiro 20, 2009

Weekend at the movies

Um filme fantástico com óptimas interpretações da Jolie e do Malkovich, uma história irritante que irrita ainda mais (a repetição foi propositada) por sabermos que é uma história verídica.




Uma história FA-BU-LO-SA!
Passamos a primeira hora e qualquer coisa a tentar tirar algum sentido das peças do puzzle que estamos a ver e os últimos 30 minutos a chorar baba e ranho. Sim, eu passei meia hora a chorar sem parar, está certo que eu já estava tristinha, mas no final só se viam olhinhos vermelhos a sair da sala. Fantástico!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Enerva(m)-me...

...pessoas que não gostam de ar condicionado, que podem estar a morrer de frio ou de calor e que não ligam o aparelho por ser um bicho do demo causador das mais variadas doenças. Tanto no local de trabalho, como no carro. Está certo que não é a coisa mais saudável do mundo mas nunca se viu ninguém morrer por causa de um arzinho.

...pessoas pudicas demais, para quem dizer bom dia a alguém ou esperar por um colega para ter companhia até ao parque de estacionamento já é "estar a pedi-las". Pensar assim é passar um atestado de taradice aos homens.

...pessoas fundamentalistas em relação à religião, seja ela qual seja. Uma coisa é acreditar-se em Deus, ter fé que, por definição, é uma crença em algo que não pode ser comprovado. Outra coisa bem diferente é garantir que Deus existe, é garantir que temos alma e que reencarnamos noutro ser quando morremos, é garantir que não há coincidências, é garantir que é o destino que traça o nosso caminho no mundo. Eu não digo que isto tudo é impossível, só digo é que ninguém o pode garantir, e fazê-lo, para mim, é a maior prova de burrice que pode haver.

...pessoas que se metem na vida dos outros e que espalham mentiras e boatos sem qualquer fundamento. Dizer a alguém que o X anda com a Y quando, de facto, o X anda realmente com a Y, é cusquice pura e todos nós somos um pouco cuscos de vez em quando. Uma coisa bem diferente é dizer "sabias que X se separou da Y?" quando X e Y vivem mais felizes que nunca.

...pessoas que como não conseguem fazer dieta estão sempre a impingir comida e doces à outras pessoas. Ou ao contrário, pessoas que estão em dieta e ficam irritadas e mandam bocas quando alguém do grupo come um doce.

...pessoas que acham que impor respeito é vestir roupinha formal e nunca esboçar um sorriso.

...pessoas que usam o anonimato, quer em blogues, quer em chats, quer no telemóvel, para fazerem e dizerem o que não têm coragem de fazer e dizer na realidade, e que, quando confrontadas, cara a cara, com o que fizeram e disseram, metem o rabinho entre as pernas e "ah e tal, não fui eu..."

...pessoas com a mania que são cultas musicalmente, que só ouvem indie porque é o que está na moda, que Deus me livre de gostar de música pop, quando no fundo tudo o que querem quando ouvem George Michael é mexer a anquinha e cantar "wake me up before you go go" a plenos pulmões.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

no flash


not anymore

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Quando eu era adolescente...

...e gostava de um rapaz da minha escola, ficava super triste quando chegava o fim de semana porque seriam dois dias sem o ver, e isso era uma tortura.

...ficava doida quando recebia algum olhar, comentário, mensagem (depois de aparecerem os telemóveis) do rapaz em questão, mas não contava a nenhuma das minhas amigas porque achava que dava azar ou que podiam comentar ou fazer alguma ceninha estúpida que me deixasse ficar mal em frente ao rapaz. Ou porque podiam achá-lo feio.

...tentava convencer as minhas amigas a irem para o café onde eu sabia que ele estava, ou para a parte da praia onde eu sabia que ele ia estar, ou para a parte da pista onde ele estava mas nunca lhes dizia porquê e inventava sempre desculpas muito estúpidas do tipo "vamos para aquele lado da praia, a senhora aqui ao lado tem um fato de banho muito feio".

...falava do tal rapaz às minhas amigas, sem nunca revelar o que sentia por ele, para ver se elas diziam "o não-sei-quantos? Nota-se mesmo que está interessado em ti".

Mas isso era só quando eu era adolescente.

segunda-feira, janeiro 12, 2009