sexta-feira, junho 30, 2006

Falta de respeito II

Se há coisa que me põe fora do sério é a falta de respeito. E há pessoas que ainda por cima puxam essa minha falta de paciência ao limite. Algumas dessas pessoas são os doentes dos meus pais, da minha mãe principalmente. Não falo de todos, como é lógico, mas alguns, principalmente algumas passam todos os limites.

Ontem a minha mãe trabalhou no Centro de Saúde cá da terra das 9h às 17h. Cerca das 17.30h aparece-me uma fulana à porta para falar com a minha mãe. "Ela não está, ainda deve estar no centro". "No centro não está, que eu liguei para lá agora e já saiu", disse a dita cuja, com um ar de que se a minha mãe não está no centro então tem que estar em casa. "Mas então ainda não chegou, deve ter ido fazer outras coisas". A mulher começa, muito ofendida, a dizer que vai ser operada no dia tal, que o médico do Hospital de S.João lhe disse isto assim assim e que precisava que a minha mãe lhe passasse uns exames (ainda por cima era daquelas mega chatas que até a mim me contam os pormenorzinhos todos...). "Mas a minha mãe esteve o dia todo no Centro de Saúde, devia ter ido lá", digo eu, já a ficar sem paciência, até porque a minha mãe não pode passar nada em casa. "Não me deu jeito"... ah então tá bem, penso eu, a si não lhe deu jeito e à minha mãe tem que dar jeito sair de um dia inteiro de trabalho e ainda ter que aturá-la em casa. Eu ainda a informei que a minha mãe ia estar no centro no dia seguinte (hoje) das 14h às 20h e a mulher lá se resignou mas disse que ia ficar na rua à espera que ela chegasse. Felizmente a minha mãe veio pela garagem e pode vir para casa descansada.

Mas a história não acaba aqui, porque episódios destes são quase diários. Pessoal que não quer fazer ficha e esperar na fila e aparece em casa à espera que os meus pais os vejam fora de horas. Hoje, eram exactamente 8h da manhã ouço a campaínha tocar. Desconfiando de quem era, nem me mexi. Cinco minutos depois outra vez. E de cinco em cinco minutos a mulher tocou à porta, até há bocadinho. Mas não eram simples toque trim. Não, era mesmo para acordar. TRIIIIIIIIIIIM! Eu, já sem sono devido aos nervos e com muito mau humor, abro a porta e ela "a seitôra tá?". "Ela está a descansar, sabe que horas são?". "É que queria que ela visse umas análises também, não pode ir lá mostrar-lhe?". Deixe-me ver se entendi bem, quer que eu acorde a minha mãe, que vai trabalhar a tarde toda e a senhora sabe disso, só para lhe mostrar umas análises?!?! Claro que não lhe falei nesse tom, embora o que me apetecesse dizer fosse "que parte de 'ela está a dormir' é que não percebeu?", tentei explicar-he novamente que ela estava a dormir e que ia trabalhar a tarde TODA e que ela podia ir falar com ela de tarde. "Não me dá jeito", mais uma vez. "Não sei que lhe faça então!". Virei as costas e fechei a porta. Agora entendo porque é que os meus pais chegam a casa estafados. Assim, não há quem aguente!

terça-feira, junho 27, 2006

Actimel


Estava eu aqui sentadinha no meu sofá, com o computador ao colo enquanto tento trabalhar, quando um anúncio televisivo, que já estou farta de ver, de repente me chamou a atenção. Todos conhecem a famosa bebida Actimel, os famosos 10 mil milhões de L casei imunitas (seja lá o que isso for), os putos que podem andar debaixo de uma tempestadde de gelo que não ficam doentes porque beberam Actimel, ou o casal de velhotes que desde que toma Actimel consegue dar 50 quecas por dia...

Ora, o que me faz confusão beste anúncio são precisamente os 10 mil milhões de L casei imunitas. Como é que se foram lembrar desse número? É que podiam dizer que cada frasquinho tem 500, ou 1000, vá lá, que uma pessoa, não fazendo a mínima ideia do que sejam esses "seres", pensava logo "ih, tantos, bora lá beber Actimel!". Mas não. Esta porra tem 10 mil milhões de bicharocos. E agora uma pergunta inteligente (ou não): como é que eles sabem que tem exactamente 10 mil milhões? Já estou a imaginar os trabalhadores da fábrica da Danone (coitados!), com um frasquinha à frente, a contar 1 L casei, 2 L caseis, 3 L caseis, 3 654 981 L caseis, 9 765 989 L caseis, 10 mil milhões L caseis. Pronto! Este já está, aqui não cabe nem mais um. Garrafa seguinte! Será?

Eu digo-vos, aqui a Kiss me não bebe disso. Sempre que desse um golinho ia pôr-me a imaginar 10 mil milhões de bonequinhos estúpidos com um grande L na camisola a entrarem-me pelo corpinho. Na na, nessa não me apanham, prefiro tomar a vacina da gripe!

segunda-feira, junho 26, 2006

Pois...

O que um amigo me disse hoje no messenger:


amigo diz:
Mas ele devia era pegar em ti e mostrar a todos os amigos porque "andar" contigo é um feito!
amigo diz:
se fosse eu trocava o meu carro por um descapotável dos antigos que num andasse mais que 40...
amigo diz:
e passeava-te por todo o lado onde conhecesse people!

Eu tenho amigos tão queridos :)

Já estava escriiiito...

Digam lá se não é muita coincidência estar no meio de milhentas pessoas no S.João do Porto e (sem combinar absolutamente nada!!!) dar de caras com o dito cujo do post anterior? Segundo dizem os amigos dele "não há coincidências", mas eu cá concordo que só pode ser o destino ;)

quinta-feira, junho 22, 2006

A Praia

Hoje voltei à praia onde tudo começou. Quase um ano depois lá fui eu, com a mesma amiga, com mais vento e com menos expectativas. Não é que seja uma praia assim paradisíaca, o estacionamento é terrível, a paisagem (fábricas e mais fábricas) do pior, o mar estava horrível, o vento muito forte e mesmo assim gosto desta praia. Mal cheguei veio tudo à memória. Os calções azuis e cinzentos, os primeiros olhares, os comentários com as amigas, a oferta de boleia, o caminho até ao meu carro, as primeiras conversas ("andas na Faculdade de Letras, não andas?"), a troca de sorrisos através do espelho retrovisor, as primeiras mensagens.

Hoje, mal cheguei e olhei para a frente, vi um vulto familiar. "Aquele não é o X?", pergunto eu à minha amiga. "Não sei. Tu é que o conheces", disse ela. E é verdade, eu conheço-o muito bem. E mesmo sem óculos, mesmo a 50 metros de distância, reconheci o jeito de mexer no cabelo, o jeito de andar, o corpo, os peitorais, tudo. Como já não o consegui apanhar resolvi brincar e mandei uma sms: "esse verde fica-te a matar". "Onde tas?", pergunta ele, admirado, sem saber que eu estava sequer naquela praia. "Na esplanada, sobe". E foi assim. Passado um bocado lá estava eu, com ele ao lado, quase um ano depois. E quase um ano depois, aqui nesta praia, estava tão bem ao lado dele que, apesar de tudo, não posso amaldiçoar o dia em que o destino (como ele disse) resolveu juntar dois estranhos que se cruzavam e se olhavam por entre os corredores da Faculdade de Letras...

quarta-feira, junho 21, 2006

Entrevista de emprego

O mau de se ser entrevistada por uma mulher é que elas olham-nos de alto abaixo.

O bom de se ser entrevistada por um homem é que eles olham-nos de alto abaixo.

terça-feira, junho 20, 2006

Esta noite dormi tãaaao mal e ao mesmo tempo tãaaao bem...

Não é para perceberem :P

segunda-feira, junho 19, 2006

Exames nacionais


Não, não vou estar para aqui a falar se os exames deveriam existir ou não, sobre as polémicas dos exames nos colégios, sobre se a percentagem que eles valem na nota final é justa ou não. A minha visão dos exames nacionais ficou muito alterada desde o ano que passou.

No ano passado tive que vigiar 4 exames e diga-se de passagem que vigiar exames é a maior seca que existe no mundo!!! Estar 3 horas fechada sem poder falar, escrever, ouvir música, ler, olhar para o lado, sentar, enfim, acho que lá nas regras até diz que não se pode pensar (brincadeirinha!), é muito, mas muito seca. Primeiro já achei as regrinhas estúpidas demais para o meu gosto... não se poder sentar?!?! Enfim, e depois olhar para 20 marmanjos a fazer exame de matemática, psicologia e filosofia, sem podermos piscar os olhos sequer, é desesperante. O meu primeiro exame foi matemática. Estava lá as 8.30h em ponto, o exame começou às 9.00h e às 9.30h já estava eu a desesperar! Lembro-me que contei quantos rapazes e quantas raparigas estavam na sala (só duas miúdas), contei quantos rapazes traziam t-shirts da Pull & Bear, quantos tinham as orelhas furadas, quantos eram esquerdinos, quantos escreviam com caneta azul ou preta... Imaginem o desespero! Saí de lá mais cansada do que os próprios miúdos, a maior parte dos quais (eu estava na sala dos Diogos - é sinaaa!!!) tentou fazer um exercício, viu que não conseguia e ficou a dormir o resto do tempo todo.

Os outros exames correram melhor. Pelo menos as profs mais velhotas que estavam comigo não eram assim tão rígidas e fomos falando um bocadinho (shhhh, não contem a ninguém). E depois era ver de cada vez que eu entrava na sala, com a minha carinha de 20 aninhos e roupinhas leves de Verão, os meninos a darem cotoveladas e a comentarem uns com os outros "esta é prof?" e a rirem-se baixinho.

Seca mesmo foi nenhum ter tentado copiar. Aquilo teria sido muito mais divertido se um fosse apanhado com copianços ou a perguntar alguma coisa ao colega do lado. Entre apanhar o puto, conversar com ele, chamar algum responsável da comissão de exames, passavam-se ali uns bons 15 minutos. E acreditem amigos, o tempo durante uma vigilância passa muuuuito devagar. Só equiparável à lentidão do tempo enquanto estamos a correr na passadeira no ginásio...

Claro que por outro lado há que reconhecer que é um mesito em que recebemos os nossos 700 euros e só temos que ir à escola 6 ou 7 vezes... e que o resto do tempo foi ocupado a trocar mensagens com um desconhecido giríssimo do hi5 (ahahahahaha isto é verídico), a ir a praia com as minhas babes, a conhecer tenistas e amigos e a desenvolver uma amizade colorida que na altura ainda me deixava maluca (agora também mas por outros motivos), a ir almoçar com os meus coleguinhas divertidos e tarados como só eles e a tomar café e a dançar com as amigas de sempre.

Afinal...vendo bem...não era assim tão mau! Se o resto dos dias fosse passado como eram no ano passado...ninguém tem aí uns examezinhos para eu corrigir? ;)

Das duas uma...

...ou eu tenho cara de psicóloga ou de doida!

É que só me saem gajos marados da cabeça! Ou é traumatizados com acontecimentos familiares, ou com ex's malucas, ou com ex's vacas, ou com o corpo ou com o raio que o parta. E das duas uma: ou olham para mim e vêem alguém a quem contar os problemas, alguém com cara de quem está para os ouvir e ajudar ou então vêem em mim uma deles, uma doida que ficou traumatizada por também ter tido um ex traumatizado e deprimido e que os compreende na perfeição...

Acontece que eu não sou uma coisa nem outra. Acho que sou uma miudita muito saudável mentalmente, graças a Deus, com as maluquices "normais" de cada um, mas sem depressões, traumas ou coisa que o valha. E muito menos sou do tipo de pessoas que gosta de levar com gente maluca, com os ditos traumas e depressões. Por isso, meus amiguinhos, há aí tanto psicólogo desempregado, tantas casas de saúde mental, tantos comprimidos para tomarem ou tantas pontes para se atirarem... agora deixem é a Ritinha em paz, que se há coisa para a qual eu não tenho a mínima pachorra é para aturar tolos!

segunda-feira, junho 12, 2006

Os homens são machistas mas as mulheres são interesseiras

Pois é... Quem pensava que eu só vinha para aqui falar mal dos espécimes masculinos, chegou a altura de descascar nas minhas companheiras de sexo, ou melhor, companheiras de género (antes que comecem a achar que eu virei pró outro lado).

É que nos últimos tempos tenho vindo a notar que as gajas estão cada vez mais interesseiras. Já vos contei a cena da minha amiga que trocou um dia da semana com o namorado por um casaquinho de brilhantes, mas esse não é o único caso. Tenho outras "amigas" (conhecidas, colegas, porque amigas só gente de carácter) que só se interessam pelos tostões que o moço tem no banco, que carro conduz e que herança é que os pais lhe vão deixar, que é para começar já a elaborar um plano maquiavélico para matar os futuros sogros. Ultimamente sempre que alguma conhecida diz que conheceu um rapaz e eu pergunto "e então?", na minha inocência, a querer saber se é giro, quais os hobbys, se é divertido ou mais reservado, enfim, traços da personalidade, so tenho como resposta referências ao carro, conta bancária, emprego dos cotas, zona onde mora... coisas que, pelo menos a mim, não são as essenciais...

Ainda há uns tempos uma amiga (e sim, esta era mesmo amiga) me disse que "andava" com um rapaz e eu lá fiz a pergunta do costume:

Rita - E então, como é que ele é?
Amiga - Olha, acabou agora o curso de economia, o avô deu-lhe agora um BM, os pais moram na Foz mas deram-lhe agora um apartamento (já não sei onde), já arranjou emprego numa empresa dos amigos dos pais e tá a ganhar ****euros por mês.
Rita - Sim, mas que tal é ele, é fixe?
Amiga - Hmmm, é...... mas às veezs não me apetece estar com ele!
Rita - Ah, ok... (com aquela cara de quem "eu não devo ter ouvido bem")

E a carinha laroca? E a personalidade? E a atracção, o interesse, os olhares? Será que agora o olhar só vai na direcção do cartão de crédito que ele tira do bolso para pagar a noite na discoteca?? Ou para a marquinha minúscula que tem do lado esquerdo da camisa? Ou para a marca dos ténis??... Eu continuo a olhar para os olhos, para o cabelo, para o sorriso, para a maneira de falar e de olhar para mim, para a educação, para a cultura, para os gostos, para a maneira de ser. Mas isso sou eu... felizmente!

Mas o que contei foi só um exemplo de muitos que podia dar. Respostas destas são constantes. Em conversas com conhecidas, em conversas que ouço de desconhecidas, em conversas com amigas, em conversas com amigas das amigas. As raparigas cada vez mais querem ter a vida de mulher de jogador de futebol, com a conta recheada e as tardes no shopping. Não condeno quem sonha com uma conta recheada e queira viver bem. Todas (e todos) queremos! Mas que o consigamos à nossa custa!!!