Ricardo + Diana = amor (no meu tempo era assim)
Oh ceús, o drama, o horror, o.... previsível! Afinal a história de encantar do Ricardo e da Diana não passou de um golpe publicitário da Cacharel.
Não é que eu seja pouco romântica, que não sou (a sério, eu até acredito no amor à primeira vista, gosto de receber flores e que me façam declarações bonitas e lamechas!) mas era óbvio que esta história estava mal contada desde o início. Aquela coisa de deixar o futuro nas mãos do destino já me irritou no filme Serendipity (ah e tal, estamos em NY, cidade com milhões de habitantes, estou loucamente apaixonada por ti mas vou escrever o meu número num livro e pô-lo à venda e se algum dia tiveres acesso a ele é porque o destino, o mundo, deus ou o pai natal queriam que ficássemos juntos - blergh, que ideia mais estúpida!) e continuou a irritar nesta história, com a diferença que o Serendipity é um filme e isto era "a vida real".
Acontece que na vida real, caso a outra pessoa tenha interessado mesmo, ninguém deixa nas mãos do destino o próximo encontro. Não. Dámos-lhe/pedimos-lhe o número de telefone, email, perfil no Facebook, nº de bilhete de identidade, segurança social, cartão europeu de saúde, nº do seguro multicare, cartão de cliente massimo dutti, tudo! E ficamos ansiosos para contactar a outra pessoa ou que ela nos contacte. E para ficar até às tantas ao telefone e acordar cedo para ligar outra vez, porque é a última pessoa em quem pensamos antes de dormir e a primeira de quem nos lembramos quando acordamos. E por trocar mensagens parvas em que tentamos parecer inteligentes, divertidos, cultos, viajados e interessantes. E por estar com essa pessoa hoje, amanhã e depois e falar muito e rir muito e beijar muito.
Por isso vi logo que aquilo só podia ser golpe. Não pensei é que fosse tão elaborado. Pensei, quando muito, que seria golpe de um ou de outro, ou de ambos, para ganhar visibilidade e irem ao Bom Dia Portugal ou à Fátima Lopes ou ao Goucha, até que eram convidados para os Morangos e eram felizes para sempre. Mas não, foi ainda mais perverso. A marca - Cacharel - quis criar um "movimento romantismo". Até aí tudo bem, só deus sabe o quanto as pessoas (e por pessoas refiro-me àquelas que têm pénis) precisam de romantismo, mas a enganar as pessoas? O que é que ganharam? Visibilidade? Mas pela negativa? Isso serve para alguma coisa?
Gente do marketing, isto é uma estratégia válida? É que se for vou já criar uma campanha fantástica aqui para a empresa. Já estou a imaginar, sempre que lançarmos obras com vampiros mandamos aí umas pessoas para a rua, vestidas de drácula e a morder efetivamente quem passa. Podia morrer uma série de gente mas, who cares?, é publicidade!

