Amores
Imagem roubada daqui (não conhecem a Maria? Então e o gato? E sabem que eles querem ir para Bruges, não sabem? Então ajudem e divulguem, que eles bem merecem!!)
Isto dos amores, das paixões, dos interesses é uma coisa mesmo estranha. Toda a gente tem uma ideia de uma série de características que gosta(ria) que a outra pessoa fosse ou tivesse mas depois vai-se a ver e na hora H apaixonamo-nos por um sorriso, por um olhar, e quando descobrimos que a personalidade não corresponde ao que sonhamos, muitas vezes já o caldo está entornado e já o nosso coração palpita mais rápido.
A última pessoa de quem gostei era muito diferente de mim. Em coisas grandes e em coisas pequenas. Eu queria sol, ele queria neve. Eu queria jantar fora, ele queria jantar em casa. Ele queria noite e copos e eu, que também gosto de noite (e não tanto de copos) não queria sair todo o santo fim de semana. Eu trabalhava oito (oito, quem me dera!) horas por dia, ele vivia do subsídio de desemprego, não trabalhava e não fazia intenções disso. A única coisa que queria era surfar de manhã, de tarde e à noite e as férias de sonho eram ir para o Alentejo, fazer o quê, adivinhem lá? Surfar! Eu queria ganhar dinheiro, conhecer o mundo. Ele queria ondas e isso chegava-lhe. Eu queria actividade, ambição, objectivos. Ele queria ir andando, acreditar que uma cunha qualquer lhe ia aparecer do céu com um emprego de sonho e aproveitar enquanto o governo lhe pagava o subsídio sem sequer uma candidatura enviar. Eu queria ser adulta, ele queria ser criança. E mesmo assim eu gostava dele. Gostava de rir com ele, gostava de dormir amarrada a ele, gostava de estar ao lado dele, gostava de o abraçar.
Agora que as coisas acabaram há uns meses (largos) olho para trás e pergunto onde é que eu estava com a cabeça. Olho para trás e penso que ele não tem ponta por onde se lhe pegue. Penso que nunca teria resultado, que mais cedo ou mais tarde eu iria fartar-me, irritar-me, dar-lhe um safanão e dizer oh meu menino, ou fazes alguma coisa da tua vidinha ou esquece lá que eu existo.
Depois aparecem-nos aquelas pessoas que são tudo que sempre quisemos. Que, se tivessemos uma checklist, teriam 99% dos itens marcados. E que, mesmo assim, não nos dizem nada, não nos fazem tremer, não nos fazem ter saudades, não nos fazem querer beijá-lo a toda a hora nem nos põem um sorriso na cara só de pensar nele.
Já tinha este texto aqui escrito há uns meses mas a imagem de hoje da Maria fez-me ir buscá-lo aos rascunhos (a Maria, sabem, aquela que quer muito ir para Bruges com o seu gato. Aquela que está a vender o recheio da sua casa para perseguir um sonho, sabem? E se isto não é o maior exemplo de força de vontade - ao contrário do menino que descrevo acima - então, raios, não sei o que será!).
Tudo isto para dizer que o ser humano é um bicho complicado e isto, meus amigos, às vezes é uma merda.


