sexta-feira, outubro 29, 2010

Por outro lado

E apesar de estar contente por ir a Madrid e ieeeiiii que vai ser tão giro, olho pela janela do escritório e só penso que o que me apetecia era ficar estes três dias no meu sofá/na minha cama com uma mantinha das boas, vários livros/séries/filmes, todo o tipo de bolachas à mão, fazer um bolo de chocolate com cobertura de chocolate ou leite creme quentinho com canela e engordar 5 kg em 3 dias.

Sexta-feira, pré-viagem

Estou com uma vontade de trabalhar que nem imaginam. A pensar no que vou meter nos 55cmx40cmx20cm permitidos pela Ryanair, a pensar no raio da chuva que vai estar em Madrid, a pensar na exposição do Mario Testino no Thyssen, a pensar nos gelados que comi na última vez que lá fui, se vou ter vontade ou não de revisitar o Prado e o Reina Sofia, no parque do Retiro e de como andei lá perdida da última vez, na Gran Vía e dos chocolates quentes que bebi no Starbucks (à falta de melhor, claro, I'm not a Starbucks kind of person).

Depois o pensamento deriva e já vai no curso de culinária que quero fazer com a Sofia, nos filmes que já gravei com a nova box da ZON e nos outros mil que tenho no computador à minha espera, na crónica de ontem do RAP na Visão, no que vou dar à minha mãe no aniversário e que surpresas lhe fazer, nas prendas de Natal para as minhas amigas, na própria noite de Natal (como eu adoro a noite de Natal), na passagem de ano e em que cidade europeia comemorar (o que eu queria era Brásiu), na viagem a Boston + NY que quero fazer para o ano (sim, para te visitar) e num curso ou pós-graduação ou qualquer coisa do género que quero fazer (já sinto falta de aprender qualquer coisinha, uma língua, qualquer coisa).

E com isto estou aqui a olhar para as bases de dados, leio dez vezes a mesma frase e ainda não passei dali. Sendo que há meia hora eram 11h21 e agora ainda são 11h25, temo que o dia de hoje custe muito a passar.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Ainda sobre o JLP

Pois que já li umas coisas do rapaz. Pois que ele escreve muito bem, que escreve. Mas - e nisto de eu admitir cenas que não me apetece admitir há sempre um mas - não faz nem pouco mais ou menos o meu estilo. Quando leio um livro gosto da fluidez da leitura, gosto de distrair-me numa história e nos bons livros - na minha opinião, claro - esquecemo-nos, no acto da leitura, que estamos a ler um livro, apenas tiramos prazer nisso (não parece que estou a falar de outra coisa?). Ao dar de caras com 

E nem a forma do mundo é igual: o sangue tem a forma de luz, as pedras têm de nuvens, os olhos têm a forma de rios, as mãos têm a forma de árvores, os lábios têm a forma de céu, ou de oceano visto da praia, ou de estrela a brilhar com toda a sua força infantil e a iluminar a noite como um coração pequeno de ave ou de criança.
(José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão)


acho que sim senhor, que belo parágrafo, bonito isso, né? Li num livro. É do tipo de frases que, mesmo sem sabermos muito bem o que querem dizer ou o que transmitem (o sangue tem forma de luz?!?), pomos no blog, publicamos no Facebook num dia mau, usamos como legenda de uma foto em que estamos de costas em frente ao mar com o cabelo ao vento. Mas ao ler isto no meio de uma história, ou pior, ao ler isto muitas vezes no meio de uma história faz-me lembrar as obras que eu tive que ler no primeiro ano de Literatura Alemã e que 5 vezes por frase empancava numa palavra cujo significado desconhecia. Nessa altura, pensava "mas que car...... quer dizer esta merda?", pousava o livro e ia para uma disco qualquer. 

(ainda assim tenho aqui o Livro na mesinha de cabeceira, e prometo que darei mais uma oportunidade ao JPL assim acabar os outros 10 que encomendei este mês. A WOOK mata-me)

terça-feira, outubro 26, 2010

Coisas que me deixam contente

Chatear a ZON e pelo mesmo valor que pago agora (menos 1 euro) ter os 4 canais TVC, uma box HD+DVR e chamadas ilimitadas.

quarta-feira, outubro 20, 2010

...

Eu que já ouvi o meu ex durante horas a dizer exactamente como marcou aquele golo; que já dissertei horas sobre os conceitos de literatura e literariedade; que já assisti a sessões plenárias de 3 horas sobre lexicografia, em catalão; que já participei em workshops sobre programas informáticos que transformam automaticamente o afrikaans em esloveno; eu, que devia estar habituada a levar valentes secas, só vos digo, não há coisinha pior que reuniões de condomínio.

[principalmente quando apareceu por lá um novo condómino que implica com coisas do género "50 euros por ano em produtos de limpeza?" e ficamos 45 minutos a falar dos filhos das **** dos produtos de limpeza]

sexta-feira, outubro 15, 2010

E não é que...

ele nasceu no mesmo dia que eu e tem o mesmo curso que eu?

Ele há coisas do caneco.

Oh, eu confesso, eu confesso, 50 chicotadas no lombo

Nunca li nada do José Luís Peixoto.
[silêncio]
[o drama, o horror]

Aliás, nunca tinha ouvido falar no rapaz até há uns mesitos.
[herege, herege]

[mas já li os russos, os gregos, os britânicos, os americanos, alguns alemães e poucos franceses, caso dê para compensar qualquer coisita e baixar para 45 chicotadas]

[mas hei-de ler, há que saber porque anda tudo - e por "tudo" entenda-se jovens mulheres e mundo literário - tão eufórico com o homem [será das tatuagens?]]

Eu sabia que devia ter ido ver o "Entre Irmãos"

Porque não achei grande piadinha ao filme. A única parte que gostei foi o COMER e a bela Itália e o dolce fare niente, provando mais uma vez na minha mente que eu devia ir morar para Roma uns mesitos, a minha cidade preferida de todos os tempos. Os gelattos, as lambretas, as esplanadas, os gestos e a prosódia italiana, igual a nenhuma outra, os attraversiamo... A parte do ORAR foi uma seca (que me perdoem os apreciadores de meditações e cultos), olhei à volta e vi o cinema todo a dormir ou prestes a. A parte do AMAR foi engraçadita, uma história de Hollywood como tantas outras (eu sei, aquilo aconteceu mesmo) que no filme se atropelou um bocado porque entretanto já íamos nas duas horas e tal de filme, era preciso despachar a coisa e mostrar a bela história de amor em 3 segundos. Valeu pelas paisagens do Bali (também queroo) e pela Bebel Gilberto a cantar o Samba da Benção, que é só das minhas músicas preferidas, assim como o poema completo que lhe deu origem. De resto... nhé, chegamos à conclusão que ela não precisava de meditação para nada e tudo se curava com um brasileiro emotivo e com gosto musical... ecléctico.

quinta-feira, outubro 07, 2010

A raíz do (meu) medo

Eu disse que o Bodyguard não marcou grande coisa na minha vida mas a verdade é que durante uns dias eu não conseguia dormir direito com medo de ter aquela luzinha vermelha que o assassino aponta à cara da Whitney nos Oscars viradinha à minha cara, pronta a estourar-me a testa.

Foi aí e nos dias seguintes a ter ido ver a Raíz do Medo (aquele em que o Richard Gere ouve Dulce Pontes numa tasca). Durante uns tempos morria de medo que o Edward Norton me entrasse pelo quarto dentro a dizer "there never was an Aaron" com aquela cara de Roy. Como se alguma vez na vida ter o Edward Norton a entrar-nos pelo quarto dentro, a dizer o que quer que seja, fosse uma coisa má.

"Mini chuva de estrelas" mas sem playback

Este fim-de-semana (se é que se pode chamar fim-de-semana a uma terça-feira) revi o The Bodyguard. Lembro-me perfeitamente de o ver pela primeira vez. Tinha eu cerca de 11, 12 anos, estava nos inícios da adolescência (quer dizer, pré-adolescência, que eu nessa altura ainda brincava à Barbies, adolescência a valer começou naquele dia ao fim da tarde quando o Diogo me pediu em namoro e eu respondi "está bem" (wtf?), sem fazer a mínima ideia de que a coisa ia durar mais 2555 dias - façam as contas - para mal dos meus pecados e ainda pior para os dele que, quando acabou, fiz-lhe a vidinha negra, era estúpida, que se há-de fazer, mas agora está tudo bem, amigos como dantes. Afinal não é só esta senhora que faz apartes gigantes) adiante, dizia eu que estava na pré-adolescência e fui para casa da Ana e da MJ, mais as nossas mães, tudo muito bonito, bolachinhas húngaras na mesa, video acabadinho de chegar ao videoclube e lá nos sentamos no sofá a ver. Na altura não percebia que raio de piada achavam as mães ao Kevin Costner (agora já percebo), o Tom Cruise era bem mais giro. O filme não me marcou por aí além mas na altura quase que obriguei (mentira, não obriguei nada) o meu pai a oferecer-me o CD com a OST do filme. CD na aparelhagem vezes sem conta e era ver-me de microfone fictício na mão a cantar o mais concentrada possível Don't make me close one more door/ I don't wanna hurt anymore/ Stay in my arms if you dare/ Or must I imagine you there/ Don't walk away from meee sem saber muito bem o que aquilo queria dizer (haveria de saber mais tarde, não se preocupem).

[Acabo de saber que o Vargas Llosa ganhou o Nobel. Quero ir ler as notícias por isso vou interromper este post bruscamente e acabá-lo às pressas]. Tudo isto para dizer que já não via o filme há não sei quantos anos, já não ouvia as músicas há outros tantos e ainda sabia as letrinhas todas, as paragens, as respirações, os uuuhhuuuuuu da Whitney, o "wait!" seguido de And I (leia-se aaaaaiiiiiiiiii) will always love youuuuhhhoooohhhh do final, prova de que a minha memória ainda é o que era. O teste final será recuperar os LP dos Onda Choc.