sexta-feira, janeiro 29, 2010

Ah!

Do ponto de vista médico, a gripe A foi uma digna sucessora de outras pandemias que, sendo muito perigosas nos jornais, foram inofensivas, ou quase, na vida real. Depois da doença das vacas loucas e da gripe das aves, a gripe suína também cumpriu o seu destino: como pandemia foi fraca, mas como negócio foi um achado. Aquele "A" da gripe A é aparentado com aquele que os espectadores de jogos de futebol soltam quando a bola bate no poste: ah! Pensei que era golo... Com a gripe sucedeu o mesmo. Gripe ah! Pensei que era mais perigosa. Por outro lado, também se parece com o ah! dos burlados. Gripe ah!, já me foram ao bolso.

Ricardo Araújo Pereira, na Visão desta semana. Ler artigo completo aqui.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Só me lixam

Andei eu o dia todo a enfardar comida como se não houvesse amanhã ou como se estivesse grávida de trigémeos a pensar que me iam tirar um litro do meu rico sangue e avisam-me agora que a doação de sangue foi adiada por causa da greve dos enfermeiros.

Acho que agora quando for mesmo o dia vou pedir para me tirarem antes 2 litros de sangue para compensar os quilos que ganhei hoje.

E já nem falo nos dias de irritação motivada por coisa alguma, dias de preparação psicológica intensiva, das horas perdidas a engendrar desculpas na minha cabeça para poder faltar à coisa, das noites de insónias ou de pesadelos com sangue a jorrar-me dos braços, que estou a dois passos de pedir uma indemnização.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

É a P da lata

Contexto: na cantina da empresa onde eu trabalho - onde se come muito bem, por sinal - tem uma mesa de saladas/frios.

Hoje estava eu a servir-me de feijão frade para acompanhar os meus filetes quando um chefe de um departamente do piso acima do meu, com quem não tenho qualquer contacto profissional e com quem nunca falei a não ser os bons dias e boas tardes trocados muito raramente nas escadas ou no elevador, me diz: Feijão na segunda, feijão ontem, feijão hoje, deve gostar muito de feijão! Eh eh eh!

Por acaso gosto. E o senhor deve gostar muito de mim para reparar no que eu como todos os dias. Não disse... mas devia!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Medo

Acabei de me inscrever na campanha da minha empresa para dar sangue. Se eu começar a ter pesadelos já sei o motivo.

O que uma pessoa não faz por uns pãezinhos e croissantzinhos de graça.

...

Uma gaja tem um mini desgosto afectivo e imbuída do optimismo que a caracteriza tenta ver o lado bom da coisa. Pensa: fixolas, é desta que vou perder o apetite e, consequentemente, aquele quilinho que está ali a mais.

Só que o raio do apetite continuou igual, nem um diazinho de tristeza profunda sem conseguir meter nada à boca, nem um nózinho no estômago, nem uma horinha de depressão e falta de apetite. Nada.

Pelo menos também não me deu para o contrário e não me pus a chorar a ver a Bridget Jones e a enfardar chocolates como se não houvesse amanhã, enquanto abria o berreiro e inundava o quarto com lenços de papel ao som de All By Myself.

Já não se fazem desgostos de amor como antigamente.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Vende-se

Máquina de fazer ranho. Que é como quem diz... eu! Se por acaso avariar e parar de produzir, basta colocar a máquina ao frio, bastam os pés, nem é preciso o corpo todo, que a produção retomará em quantidades razoáveis nos dias seguintes. Também serve deixar a máquina à chuva e ficar molhada todo o dia. Sucesso garantido.

Alguém quer?

Ah!

E também havia um beauty coach, que basicamente andava lá sem fazer nada, pelo que não sei a profissão em português.

Queridos, mudem o vocabulário

Ontem vi o primeiro episódio do programa Querido, mudei o visual. E, ao contrário dos outros programas do género, aqui não tinhamos um conselheiro de moda, não tínhamos um cabeleireiro, não tínhamos uma maquilhadora. Não. Tínhamos sim um fashion adviser, um hair stylist, uma make-up artist, que é nada mais nada menos que as mesmas profissões traduzidas para inglês, Deus nos livre de ter uma profissão com um nome em português, coisa mais pirosa, somos agora alguns labregos, onde é que já se viu.

E agora vou trabalhar, que uma coordinator não pode ficar a manhã nisto.

sábado, janeiro 16, 2010

Ora bem

Só para informar que nem sempre o que se escreve deve ser levado à letra. Isto, isto e outros posts que já não me lembro não passam de metáforas. Para quem não tinha percebido não, eu não ando nos AA, não ando para aí a beber que nem doida, não sou um perigo na estrada nem me espeto a toda a hora.

Mas é engraçado que até nas metáforas escolho bem o assunto. Porque enquanto uma chapa de um carro é uma coisa fácil de consertar ou, quando muito, arranja-se outra, já a bebida é aquele vício que apesar de acharmos que já está curado volta e volta e volta e volta e volta....

quinta-feira, janeiro 14, 2010

E eu que me gabava de ter uma memória de elefante

Hoje à hora de almoço apercebi-me que já não sei o Pai Nosso e a Ave Maria.

Sim, sou uma herege, já sei.

Perigo, abrande!


Na minha vida gosto sempre de manter a distância de segurança. Gosto de achar que se o carro da frente travar de repente, que eu vou ter espaço para ficar para trás, sem problemas de maior. Quando muito, que tenho que fazer uma manobra brusca, sofrer um susto e já passou. No entanto, por alguma razão que desconheço, a minha distãncia de segurança parece não funcionar. Perante o perigo nunca tenho tempo de travar e acabo sempre por bater. Às vezes espeto-me toda, parto-me toda, fico com pisaduras durante semanas, meses, anos. Outras, como agora, é só um toquezinho. Daqueles que não destroem mas chateiam. Daqueles que se resolvem com um acordo amigável, uns dias na oficina e sai de lá como novo, como se aquela amolgadela nunca tivesse existido. Mas por mais pequenos que sejam estes toquezinhos moem sempre e mesmo que não venham no livrete, nós lembramo-nos deles e pensamos constantemente para a próxima é que é, para a próxima vou dar distância suficiente, para a próxima não bato, enquanto nos perguntamos o que fizemos de errado.
Só que depois ouço sobre o Haiti e leio coisas como isto e lembro-me das palavras da radiologista aquando do meu primeiro acidente: estás viva e estás bem, o carro que se foda!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Depois de ver o Avatar

Fiquei com uma dúvida. As pessoas que usam óculos como é que vêem filmes em 3D?
Adenda: É que os óculos que me deram no UCI são daqueles mesmo de massa, como uns óculos de sol normais, tipo estes RayBan retro que andam muito na moda.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Cidade dos Anjos

Numa fase em que até nem faz muito sentido eu estar assim, ando a pôr em causa tudo que é coisa romântica que me passa à frente. Se leio um poema penso “Ei, que treta, ninguém gosta de ninguém assim”, se ouço uma música acho que é um exagero, se vejo um filme rio-me do quão irreais as coisas são.

Este fim de semana vi a Cidade dos Anjos pela segunda vez (a primeira foi num aniversário meu, tinha para aí 12 anos e desde então nunca mais o tinha visto). A ideia que tinha do filme é que era lindo, romântico e muitíssimo triste, então o gajo parte-se todo para virar humano, perde a eternidade, a música pelas manhãs, a capacidade de ler o pensamento, a ausência de dor, frio, etc. por causa da Meg e ela morre-se-lhe ali no dia seguinte, após uma única noite de amor, quando toda a gente sabe que a primeira vez nunca é a melhor? (claro que esta ideia não me surgiu quando tinha 12 anos). Adiante. No meu estado normal olharia para o filme e ai que lindo e snif snif. No domingo olhei para o filme com espírito de eh pá, esta cena é mesmo estúpida. A ver:

1 – Um gajo aparece-nos à frente (feio que dói, desculpa Nicholas mas és) todo vestido de preto, a dizer coisas meio sem sentido, tudo muito profundo e filosófico. Não come, aparece em todo o lado sempre com a mesma roupa e a gaja apaixona-se logo. Meia desconfiada pergunta-lhe quem ele é e ele diz-lhe “ah, é verdade, esqueci-me de dizer, sou um anjo” e a miúda cai-lhe aos pés apaixonadíssima, é o homem da minha vida. Na vida real, se um gajo nos dissesse “sou um ser celestial, apaixonei-me por ti e quero mandar-me de um prédio a ver se fico humano para poder cheirar o teu cabelo” ou fugíamos a sete pés, ou internávamo-lo num hospital psiquiátrico ou no mínimo marcávamos-lhe uma consultazinha no psicólogo lá da vila.

2 – O gajo atira-se, vira humano, tenta procurá-la e a médica amiga diz-lhe que está na casa do tio no Lago Tahoe. O ex-anjo-humano decide ir para o Lago Tahoe sem saber onde era essa tal casa, não há-de haver assim tantas. Eis que vê uma lista telefónica e toca a procurar a morada, como se alguém acabadinho de chegar ao mundo dos humanos soubesse o nome de todos os tios da amada. Mas vai lá dar, incrível.

3 – Chega lá a casa e a miúda está impecável, beijam-se, dormem juntos, ele despe-a e a pele dela está mais lisinha e depilada que o rabinho de um bebé. Ora, qualquer comum mortal do sexo feminino que ia para uma cabana sozinha num lago qualquer iria estar com os pijaminhas da avó, robe de manta polar, meias de lã grossas e depilação era para o tecto (bendita depilação definitiva que me vai resolver muitos destes problemas).

4 – Por fim a famosa cena, comum a 99% dos filmes em que alguém morre, em que as personagens nunca morrem logo. Até podem levar 3 balázios, serem atropeladas por um camião, que é o caso, serem atacadas por um urso polar, mas nunca morrem imediatamente. Há sempre tempo para o amado chegar, abraçá-la, dizerem coisas muito bonitas um ao outro e só aí é que dão o suspiro final.

E o filme acabou comigo a pensar um misto de “afinal não é tão giro quanto eu pensava” e “porque raio estou eu a pôr em causa as cenas românticas do filme quando até devia estar a olhar para o brightside do mesmo?”. Pancas.

Quero só partilhar...

...que a chuva e o vento são tão fortes, que tenho ondas no meu terraço.

Medo.

sábado, janeiro 09, 2010

Eh pá

Já não escrevo nada desde o ano passado. Isso é muito tempo. Mas existe uma razão.

Primeiro, não queria começar o ano a falar mal da minha vidinha e da porcaria do despertador que me lixa a cabeça todas as manhãs (sim, esta semana custou-me muito, quando o meu corpinho se começou a habituar aos horários de férias, eis que volta o trabalho) porque diz que o que se faz no início do ano é o que se vai andar a fazer o ano todo e eu não quero passar 2010 a reclamar da vida.

Depois, também não queria que o meu primeiro post de 2010 fosse a comentar as caretas (?) da Clara Pinto Correia na exposição de arte (?) do marido, a simular (?) orgasmos (?). Nunca vi coisa mais feia e só penso nos filhos daquela criatura a ver aquilo em todo o lado. Eu que pensava que depois disto uma mãe já não conseguia envergonhar mais as crias mas afinal enganei-me. Próxima paragem, Playboy? Da maneira que a revista anda com qualidade já não me admirava nada.

Por último, também não queria comentar a aprovação na AR do casamento homossexual porque a minha opinião já toda a gente leu aqui e já estão fartos de saber o que eu penso sobre o assunto.

"Portantos", se não tenho temas interessantes ou novos para falar, remeto-me ao meu silêncio e vou lá para fora enfrentar o frio para dar duas de treta com os meus amigos e quiçá abanar o capacete algures. Bom fim-de-semana!