Ah!
Ricardo Araújo Pereira, na Visão desta semana. Ler artigo completo aqui.
Kisses kept are wasted, love is to be tasted!
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Acabei de me inscrever na campanha da minha empresa para dar sangue. Se eu começar a ter pesadelos já sei o motivo.
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Numa fase em que até nem faz muito sentido eu estar assim, ando a pôr em causa tudo que é coisa romântica que me passa à frente. Se leio um poema penso “Ei, que treta, ninguém gosta de ninguém assim”, se ouço uma música acho que é um exagero, se vejo um filme rio-me do quão irreais as coisas são.
Este fim de semana vi a Cidade dos Anjos pela segunda vez (a primeira foi num aniversário meu, tinha para aí 12 anos e desde então nunca mais o tinha visto). A ideia que tinha do filme é que era lindo, romântico e muitíssimo triste, então o gajo parte-se todo para virar humano, perde a eternidade, a música pelas manhãs, a capacidade de ler o pensamento, a ausência de dor, frio, etc. por causa da Meg e ela morre-se-lhe ali no dia seguinte, após uma única noite de amor, quando toda a gente sabe que a primeira vez nunca é a melhor? (claro que esta ideia não me surgiu quando tinha 12 anos). Adiante. No meu estado normal olharia para o filme e ai que lindo e snif snif. No domingo olhei para o filme com espírito de eh pá, esta cena é mesmo estúpida. A ver:
1 – Um gajo aparece-nos à frente (feio que dói, desculpa Nicholas mas és) todo vestido de preto, a dizer coisas meio sem sentido, tudo muito profundo e filosófico. Não come, aparece em todo o lado sempre com a mesma roupa e a gaja apaixona-se logo. Meia desconfiada pergunta-lhe quem ele é e ele diz-lhe “ah, é verdade, esqueci-me de dizer, sou um anjo” e a miúda cai-lhe aos pés apaixonadíssima, é o homem da minha vida. Na vida real, se um gajo nos dissesse “sou um ser celestial, apaixonei-me por ti e quero mandar-me de um prédio a ver se fico humano para poder cheirar o teu cabelo” ou fugíamos a sete pés, ou internávamo-lo num hospital psiquiátrico ou no mínimo marcávamos-lhe uma consultazinha no psicólogo lá da vila.
2 – O gajo atira-se, vira humano, tenta procurá-la e a médica amiga diz-lhe que está na casa do tio no Lago Tahoe. O ex-anjo-humano decide ir para o Lago Tahoe sem saber onde era essa tal casa, não há-de haver assim tantas. Eis que vê uma lista telefónica e toca a procurar a morada, como se alguém acabadinho de chegar ao mundo dos humanos soubesse o nome de todos os tios da amada. Mas vai lá dar, incrível.
3 – Chega lá a casa e a miúda está impecável, beijam-se, dormem juntos, ele despe-a e a pele dela está mais lisinha e depilada que o rabinho de um bebé. Ora, qualquer comum mortal do sexo feminino que ia para uma cabana sozinha num lago qualquer iria estar com os pijaminhas da avó, robe de manta polar, meias de lã grossas e depilação era para o tecto (bendita depilação definitiva que me vai resolver muitos destes problemas).
4 – Por fim a famosa cena, comum a 99% dos filmes em que alguém morre, em que as personagens nunca morrem logo. Até podem levar 3 balázios, serem atropeladas por um camião, que é o caso, serem atacadas por um urso polar, mas nunca morrem imediatamente. Há sempre tempo para o amado chegar, abraçá-la, dizerem coisas muito bonitas um ao outro e só aí é que dão o suspiro final.
E o filme acabou comigo a pensar um misto de “afinal não é tão giro quanto eu pensava” e “porque raio estou eu a pôr em causa as cenas românticas do filme quando até devia estar a olhar para o brightside do mesmo?”. Pancas.
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