Tenho andado esquisita. Ansiosa, nervosa... Esquisita, pronto. Há cerca de duas semanas que sinto aqui um apertozinho qualquer, sem motivo aparente. Deito-me com o coração aos pulos, acordo a meio da noite com o coração aos pulos e demoro horas para voltar a adormecer. E quando finalmente consigo, é hora de ir trabalhar... Esta noite devo ter dado 537 voltas na cama. Ou quantas voltas uma pessoa conseguir dar em quase três horas. Lembro-me de ter olhado para o relógio às 4h34 quando acordei, o coração a saltar-me do peito num misto de ansiedade e angústia. Até ao despertador tocar andei ali, numa luta contra os lençóis, a cama, a almofada, a cabeça. Isso é coisa de gajos, dizem vocês. Mas não. Podia ser, se não andasse nisto há duas semanas. E sinceramente, a nível de gajos a minha vidinha (infelizmente) dá sono, não excitação. Claro que penso neles. E digo eles, porque neste momento não há nenhum que faça o meu coração bater mais depressa (se bem que mais depressa acho difícil, e eu que sou uma pessoa normalmente hipotensa). Enfim, penso em homens mas penso em muita mais coisa. No almoço da empresa, na roupa que vou vestir no almoço da empresa, na prenda que tenho que comprar para a minha colega, na festa que tenho no sábado, nos filmes que estão no cinema, no rapaz que eu vi na rua igualzinho ao Hiro Nakamura e que foi por pouco que não saltei do outro lado da rua aos berrinhos "Hiro, Hiro", no último episódio da Anatomia de Grey que já deve estar disponível para download, na boleia para o Rock in Rio, no livro que encomendei na Leitura... enfim, uma infinidade de coisas que me voaram pelo pensamento. Acho que só não pensei no trabalho. Chego mesmo a pensar que se gosto tanto daquilo é precisamente por isso, porque me esqueço dele mal ponho a minha sabrininha fora da porta. Mas esta não é a descrição só da noite passada. É o que me tem acontecido praticamente todos os dias nestas últimas semanas. E este "sentimento" continua de dia, tanto que não me deixa ter sono, o que até é bom...
Dantes, se isto me acontecesse, era só atravessar a rua, entrar de manhãzinha na casa do meu namorado que era no prédio em frente (ele e a mãe deram-me a chave) e deitar-me amarradinha a ele. Agora não há namorado. Nem prédio em frente. Ou melhor, há, mas moram lá duas velhotas ranhosas com quem não dormiria amarradinha nem pelo jackpot do euromilhões. Por isso, resta-me respirar fundo, dizer "miúda, ganha juízo" e esperar que isto passe.